Com
esforço abro meus olhos. Estou deitado em uma cama no hospital da cidade. Minha
mãe beija minha testa. E em poucos minutos ao lado da minha cama está ele meu
amigo Erik.
-
Que susto danado você nos deu cara.
-
Verdade? – Sorrio para Erik.
Olho
para minha mãe vejo que ela está feliz, mas parece que algo ainda a perturba. Procuro
no quarto, mas não encontro. Não o vejo em lugar nenhum daquele minúsculo
quarto.
-
Onde está meu pai? – Olho para minha mãe, depois para Erik. Minha mãe se afasta
e começa a chorar. Erik segura minha mão. Sei que a notícia não será boa.
-
Sinto muito amigão.
-
Não! Como pode ter sido isso. Eu não posso perder ele. Não agora que ele voltou
para mim. Ele está preso né isso. Diz cara. Fala pra mim Erik que ele está
preso.
-
Sinto muito, Samuel. Ele se jogou na sua frente. Levou o tiro por você.
Meu
coração já sabia disso. Meu pai deu a sua vida para salvar a minha. E eu não
tive a oportunidade de conhecer o home que ele era. O homem que ele havia se
tornado. Que legado ele deixou para mim. Enquanto as lágrimas rolavam pela
minha face a porta do quarto abre e correndo entra um menino de quase dois anos,
chega perto da minha cama, olha para mim e sorri.
- É
seu irmãozinho cara. Pedrinho.
----/----
Finalmente
minha vida está tentando entrar na rotina. Agora tenho a companhia de minha mãe
que voltou a ser aquela mulher destemida e lutadora que foi um dia. É ela que
me faz prosseguir. E Pedrinho se tornou meu elo com meu pai. Meu xodó. Aprendi
a amá-lo mais que tudo.
Porém
nada disso é o suficiente para preencher um vazio que ficou. Um vazio que só
poderia ser preenchido por Dany. Mas ela não está mais lá. Foi embora. Não me
disse adeus. Não me deu o último beijo e nem o último abraço. Simplesmente
partiu. Minha felicidade está incompleta. Espero que ela sinta minha falta
também. Espero que um dia essa dor passe. Esse vazio seja preenchido e que
nossos corações se perdoem.
----/----
Não
disse adeus.
Não
dei-lhe o beijo de despedida.
Nem
o abraço apertado de quem nunca mais irá se reencontrar.
Deixá-lo
ali daquele jeito não foi fácil, mas infelizmente naquele dia meu coração foi
atingido mais uma vez. E desta vez por uma bala. Minha mãe se matou. Não
suportava mais viver sem Filipi e deixou-me só e desamparada. Não sei se Samuel
seria capaz de perdoar a filha da assassina de seu pai e eu talvez não fosse
capaz de perdoar o filho do assassino de meu irmão. O melhor por enquanto é nos
afastarmos. Quem sabe um dia a felicidade chegue para nós.
Enquanto
o carro prossegue seu caminho com meu pai sendo o condutor, meus pensamentos e
meu coração não conseguem desligar-se de Samuel. Afastar-me dele é tão difícil
e apesar de dizer constantemente a minha razão que isso é para o meu bem e o
dele, meu coração não aceita. Sinto como se uma mão o envolvesse e o apertasse
sem dó ou piedade.
O
destino foi tão trágico. Nossas histórias se cruzaram em um tempo dor e nos separou
da mesma forma. Quero guardar em meu coração as lembranças de nossos momentos
juntos.
Lembrança
de quando ele foi meu salvador ou dele sentado na mesa da biblioteca fingindo
que leia enquanto olhava para mim com admiração. Eu ainda o amo e não sei o que
farei para que esse amor acabe.
Sinto
tanto a falta da minha mãe. Alguém para conversar, compartilhar minha dor, meu
sentimentos. Dizer o que estou sentido e porque estou sentido, ouvir sua voz.
Sentir seu abraço. Isso também não é mais possível. Será que ainda serei feliz.
Será
que terei felicidade, pois todas as razões para a minha felicidade foram
arrancadas de mim: Filipi, Mamãe e Samuel.
Felicidade
será que eu ainda te encontrarei.
O
carro segue seu caminho e deixo para traz a minha felicidade em direção a um
destino desconhecido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário