segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO XX - Autor: Zedekiah

Com esforço abro meus olhos. Estou deitado em uma cama no hospital da cidade. Minha mãe beija minha testa. E em poucos minutos ao lado da minha cama está ele meu amigo Erik.
- Que susto danado você nos deu cara.
- Verdade? – Sorrio para Erik.
Olho para minha mãe vejo que ela está feliz, mas parece que algo ainda a perturba. Procuro no quarto, mas não encontro. Não o vejo em lugar nenhum daquele minúsculo quarto.
- Onde está meu pai? – Olho para minha mãe, depois para Erik. Minha mãe se afasta e começa a chorar. Erik segura minha mão. Sei que a notícia não será boa.
- Sinto muito amigão.
- Não! Como pode ter sido isso. Eu não posso perder ele. Não agora que ele voltou para mim. Ele está preso né isso. Diz cara. Fala pra mim Erik que ele está preso.
- Sinto muito, Samuel. Ele se jogou na sua frente. Levou o tiro por você.
Meu coração já sabia disso. Meu pai deu a sua vida para salvar a minha. E eu não tive a oportunidade de conhecer o home que ele era. O homem que ele havia se tornado. Que legado ele deixou para mim. Enquanto as lágrimas rolavam pela minha face a porta do quarto abre e correndo entra um menino de quase dois anos, chega perto da minha cama, olha para mim e sorri.
- É seu irmãozinho cara. Pedrinho.

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Finalmente minha vida está tentando entrar na rotina. Agora tenho a companhia de minha mãe que voltou a ser aquela mulher destemida e lutadora que foi um dia. É ela que me faz prosseguir. E Pedrinho se tornou meu elo com meu pai. Meu xodó. Aprendi a amá-lo mais que tudo.
Porém nada disso é o suficiente para preencher um vazio que ficou. Um vazio que só poderia ser preenchido por Dany. Mas ela não está mais lá. Foi embora. Não me disse adeus. Não me deu o último beijo e nem o último abraço. Simplesmente partiu. Minha felicidade está incompleta. Espero que ela sinta minha falta também. Espero que um dia essa dor passe. Esse vazio seja preenchido e que nossos corações se perdoem.

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Não disse adeus.
Não dei-lhe o beijo de despedida.
Nem o abraço apertado de quem nunca mais irá se reencontrar.
Deixá-lo ali daquele jeito não foi fácil, mas infelizmente naquele dia meu coração foi atingido mais uma vez. E desta vez por uma bala. Minha mãe se matou. Não suportava mais viver sem Filipi e deixou-me só e desamparada. Não sei se Samuel seria capaz de perdoar a filha da assassina de seu pai e eu talvez não fosse capaz de perdoar o filho do assassino de meu irmão. O melhor por enquanto é nos afastarmos. Quem sabe um dia a felicidade chegue para nós.
Enquanto o carro prossegue seu caminho com meu pai sendo o condutor, meus pensamentos e meu coração não conseguem desligar-se de Samuel. Afastar-me dele é tão difícil e apesar de dizer constantemente a minha razão que isso é para o meu bem e o dele, meu coração não aceita. Sinto como se uma mão o envolvesse e o apertasse sem dó ou piedade.
O destino foi tão trágico. Nossas histórias se cruzaram em um tempo dor e nos separou da mesma forma. Quero guardar em meu coração as lembranças de nossos momentos juntos.
Lembrança de quando ele foi meu salvador ou dele sentado na mesa da biblioteca fingindo que leia enquanto olhava para mim com admiração. Eu ainda o amo e não sei o que farei para que esse amor acabe.
Sinto tanto a falta da minha mãe. Alguém para conversar, compartilhar minha dor, meu sentimentos. Dizer o que estou sentido e porque estou sentido, ouvir sua voz. Sentir seu abraço. Isso também não é mais possível. Será que ainda serei feliz.
Será que terei felicidade, pois todas as razões para a minha felicidade foram arrancadas de mim: Filipi, Mamãe e Samuel.
Felicidade será que eu ainda te encontrarei.

O carro segue seu caminho e deixo para traz a minha felicidade em direção a um destino desconhecido. 

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