segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO XVIII - Autor: Zedekiah

Desço as escadas com rapidez, pois a pessoa que está na porta parece ter pressa em ser atendida. A campainha toca mais uma vez, e outra vez e mais uma. Eu grito estou indo, tenha calma, mas parece que minha voz não alcança o ouvido deste ou desta agoniada pessoa.
Meus pensamentos são os piores possíveis: aconteceu alguma coisa com minha mãe ou com meu pai. Tento acalmar-me antes de abrir a porta. Quando abro para minha surpresa lá está ele. A pessoa que jamais pensei ver novamente em minha casa. Pena que ele escolheu o pior momento para nos rever.
- Erik! É você mesmo? – dou-lhe um abraço apertado. Percebo que ele fica sem jeito e me retribui com um abraço tímido. – O que você faz aqui?
- Eu preciso falar com você Dany...
- Mas, Erik tem de ser agora, digo, tem de ser hoje? Não que eu não esteja feliz em rever você, de jeito nenhum, é que minha mãe teve um surto e meu pai está procurando por ela. E aconteceu tanta coisa que...
- Dany, é sobre sua mãe. – Sinto dor e medo em sua voz. – E também sobre seu irmão Filipi.
- Como?
- Posso entrar? Por favor, é urgente, se nós não agirmos rápido algo muito ruim vai acontecer.
- Vamos entre. Mas antes me diga. Você conhece Samuel?
- Sim, eu o conheço. Sou o único amigo dele. E sim eu fiz de tudo para não ver você, pois não queria relembrar de seu irmão. Me desculpe.
- Tudo bem. Mas vamos me conte o que houve com minha mãe?
- Você já deve saber que ela descobriu que ele, o assassino de seu irmão está na cidade.
- Sim ela descobriu, surtou e desapareceu. Ninguém sabe para onde ela foi e meu pai saiu para procura-la.
- Dany, eu vi sua mãe. Várias pessoas da cidade a viu e a ouviu.
- Onde ela está, preciso avisar ao meu pai para que ele a pegue e traga ela para casa.
- Eu não sei mais onde ela está. Mas o que ela gritou pna praça em frente a delegacia abalou a toda a cidade.
- Como assim Erik, o que foi que ela falou?
- Dany – Vejo nos olhos de Erik uma tristeza tão grande que meu coração congela e meu peito aperta em uma dor tão grande. – Sua mãe gritava o nome do assassino, e dizia que se a policia não fez justiça ela iria fazer.
- Meu Deus! E qual nome ela gritava, Erik?
- Você ainda não sabe? Seus pais não te contaram?
- Não. Meu pai não teve tempo e minha mãe saiu feito louca.
- Eu não sei como te dizer isso. Nem sei se posso, talvez não seja verdade. Seja coisa da cabeça dela...
- Erik, qual o nome?

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- O que você está me dizendo? - Não consigo compreender ou meus pensamentos não querem e não desejam de forma alguma aceitar essa afirmação. – Você tem ideia do que você esta falando.
- Sim, é a mais pura verdade. Eu sinto muito meu filho. Foi por este motivo que deixei sua mãe daquele jeito. Que te abandonei.
- Nossa! – a raiva apenas aumentando. Minhas mãos suavam, meu corpo estremecia – E mais uma vez você consegue desfazer toda a felicidade que eu tinha. Que eu demorei tanto para reconstruir.
- Eu não queria te fazer sofrer, mas entenda que eu não poderia mais viver com essa culpa.
- Mas você vai conseguir viver com a sensação e a certeza de que acabou comigo?
- Samuel quem sabe assim nós tenhamos uma nova chance. Uma oportunidade de nos aproximarmos e vivermos como pai e filho.
Não entendo nenhuma de suas palavras, meu pensamento está nela. Está com ela. Na frente da Biblioteca, no momento em que a segurei em meus braços. No momento do seu primeiro sorriso para mim. Nosso primeiro beijo. Seus dedos entre os meus. Seu olhar antes de fechar a porta para que eu fosse embora. Eu a amo e tudo ali estava se desfazendo.
- Por quê? Por que você voltou? – não contenho as lágrimas. Agora elas rolam. Tenho vontade de gritar e correr dali. Ir para longe o bastante de tudo e de todos.
- Me perdoe. Minha intenção não é fazer você sofrer.
- Ela era minha, é minha namorada. O senhor entende o problema? Por que você fez isso?
- Samuel, se eu vivesse com isso eu jamais teria paz. Eu voltei pra pedir o seu perdão. Uma segunda chance para provar para você que eu mudei. Quero ser seu pai. – Apesar da dor que me invade sei agora que o que ele fala é verdadeiro e sincero
- Prometa-me que você vai embora. Que não vai contar essa história para ninguém dessa cidade. Me prometa.
- Não posso
- Como não pode. Olha eu te perdoo. Te aceito como pai, mas você tem de ir embora.

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- Você não pode estar falando sério Erik. Isso é loucura!
- Dany, nós temos de encontrar sua mãe, ou ela vai fazer algo terrível
- Você não está entendendo Erik, isso é maluquice. Samuel teria me contado se isso fosse verdade.
- Ele não sabia. Ele nunca soube por que o pai o deixou.
- Eu preciso ir vê-lo. Conversar com ele.
- Acho que não vai dar
- Por que não?
Passei na casa dele antes de vir aqui ele não estava lá. Daí lembrei que ele iria hoje encontrar o pai.
- É verdade. Levei-o lá.
- Então nós precisamos ir lá Dany, ou algo...

- Não! Nada vai acontecer. Vamos eu sei onde ele está.

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