Desço
as escadas com rapidez, pois a pessoa que está na porta parece ter pressa em
ser atendida. A campainha toca mais uma vez, e outra vez e mais uma. Eu grito
estou indo, tenha calma, mas parece que minha voz não alcança o ouvido deste ou
desta agoniada pessoa.
Meus
pensamentos são os piores possíveis: aconteceu alguma coisa com minha mãe ou
com meu pai. Tento acalmar-me antes de abrir a porta. Quando abro para minha
surpresa lá está ele. A pessoa que jamais pensei ver novamente em minha casa.
Pena que ele escolheu o pior momento para nos rever.
-
Erik! É você mesmo? – dou-lhe um abraço apertado. Percebo que ele fica sem
jeito e me retribui com um abraço tímido. – O que você faz aqui?
- Eu
preciso falar com você Dany...
-
Mas, Erik tem de ser agora, digo, tem de ser hoje? Não que eu não esteja feliz
em rever você, de jeito nenhum, é que minha mãe teve um surto e meu pai está
procurando por ela. E aconteceu tanta coisa que...
-
Dany, é sobre sua mãe. – Sinto dor e medo em sua voz. – E também sobre seu
irmão Filipi.
-
Como?
-
Posso entrar? Por favor, é urgente, se nós não agirmos rápido algo muito ruim
vai acontecer.
-
Vamos entre. Mas antes me diga. Você conhece Samuel?
-
Sim, eu o conheço. Sou o único amigo dele. E sim eu fiz de tudo para não ver
você, pois não queria relembrar de seu irmão. Me desculpe.
-
Tudo bem. Mas vamos me conte o que houve com minha mãe?
-
Você já deve saber que ela descobriu que ele, o assassino de seu irmão está na
cidade.
-
Sim ela descobriu, surtou e desapareceu. Ninguém sabe para onde ela foi e meu
pai saiu para procura-la.
-
Dany, eu vi sua mãe. Várias pessoas da cidade a viu e a ouviu.
-
Onde ela está, preciso avisar ao meu pai para que ele a pegue e traga ela para
casa.
- Eu
não sei mais onde ela está. Mas o que ela gritou pna praça em frente a
delegacia abalou a toda a cidade.
-
Como assim Erik, o que foi que ela falou?
-
Dany – Vejo nos olhos de Erik uma tristeza tão grande que meu coração congela e
meu peito aperta em uma dor tão grande. – Sua mãe gritava o nome do assassino,
e dizia que se a policia não fez justiça ela iria fazer.
-
Meu Deus! E qual nome ela gritava, Erik?
-
Você ainda não sabe? Seus pais não te contaram?
-
Não. Meu pai não teve tempo e minha mãe saiu feito louca.
- Eu
não sei como te dizer isso. Nem sei se posso, talvez não seja verdade. Seja
coisa da cabeça dela...
-
Erik, qual o nome?
----/----
- O
que você está me dizendo? - Não consigo compreender ou meus pensamentos não
querem e não desejam de forma alguma aceitar essa afirmação. – Você tem ideia
do que você esta falando.
-
Sim, é a mais pura verdade. Eu sinto muito meu filho. Foi por este motivo que
deixei sua mãe daquele jeito. Que te abandonei.
-
Nossa! – a raiva apenas aumentando. Minhas mãos suavam, meu corpo estremecia –
E mais uma vez você consegue desfazer toda a felicidade que eu tinha. Que eu
demorei tanto para reconstruir.
- Eu
não queria te fazer sofrer, mas entenda que eu não poderia mais viver com essa culpa.
-
Mas você vai conseguir viver com a sensação e a certeza de que acabou comigo?
-
Samuel quem sabe assim nós tenhamos uma nova chance. Uma oportunidade de nos
aproximarmos e vivermos como pai e filho.
Não
entendo nenhuma de suas palavras, meu pensamento está nela. Está com ela. Na
frente da Biblioteca, no momento em que a segurei em meus braços. No momento do
seu primeiro sorriso para mim. Nosso primeiro beijo. Seus dedos entre os meus.
Seu olhar antes de fechar a porta para que eu fosse embora. Eu a amo e tudo ali
estava se desfazendo.
- Por
quê? Por que você voltou? – não contenho as lágrimas. Agora elas rolam. Tenho
vontade de gritar e correr dali. Ir para longe o bastante de tudo e de todos.
- Me
perdoe. Minha intenção não é fazer você sofrer.
- Ela
era minha, é minha namorada. O senhor entende o problema? Por que você fez
isso?
-
Samuel, se eu vivesse com isso eu jamais teria paz. Eu voltei pra pedir o seu
perdão. Uma segunda chance para provar para você que eu mudei. Quero ser seu
pai. – Apesar da dor que me invade sei agora que o que ele fala é verdadeiro e
sincero
-
Prometa-me que você vai embora. Que não vai contar essa história para ninguém
dessa cidade. Me prometa.
-
Não posso
-
Como não pode. Olha eu te perdoo. Te aceito como pai, mas você tem de ir
embora.
----/----
-
Você não pode estar falando sério Erik. Isso é loucura!
-
Dany, nós temos de encontrar sua mãe, ou ela vai fazer algo terrível
-
Você não está entendendo Erik, isso é maluquice. Samuel teria me contado se
isso fosse verdade.
-
Ele não sabia. Ele nunca soube por que o pai o deixou.
- Eu
preciso ir vê-lo. Conversar com ele.
-
Acho que não vai dar
-
Por que não?
Passei
na casa dele antes de vir aqui ele não estava lá. Daí lembrei que ele iria hoje
encontrar o pai.
- É
verdade. Levei-o lá.
-
Então nós precisamos ir lá Dany, ou algo...
-
Não! Nada vai acontecer. Vamos eu sei onde ele está.
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