quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO IX - Autor: Zedekiah

Nunca gostei tanto da biblioteca como naqueles dias. Passávamos horas lá. Dany e eu. Tínhamos até a nossa própria mesa. Se estudávamos? Claro que sim. Minhas notas melhoraram e meu humor também.
Nossa! O amor muda as pessoas. Ela era tudo de bom. Foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida depois do meu amigo Erik.
O pior momento era saber que teria de retornar para casa em algum momento. Não contei para Dany, os fatos da noite passada. Não tive coragem. Tive medo de afastar ela de mim. Sei que estou sendo egoísta, mas não quero perde-la. Não agora que tudo parece está indo tão bem pra mim, pelo menos fora de casa.
Precisava conversar. Necessitava desabafar com alguém. Por isso ao me despedir de Dany, fui ao encontro de Erik.
Mesmo com seu jeito meio doido, despreocupado e pra lá de estranho, Erik me dá conselhos legais e me escuta como ninguém. Não sei como ele consegue, mas ele o faz.
Ele percebeu que eu estava mal e por isso contei-lhe sobre o pesadelo que tive naquela noite, e o que me impressionou foi que ele apenas me abraçou e chorou comigo. Compartilhou e sentiu a minha dor.
Envolvido em um abraço apertado, enquanto me debato, Erik me oferece as únicas palavras que parece poder pronunciar naquele momento. Não vejo seus olhos, mas pela sua voz embargada acredito que meu melhor amigo chora comigo. Chora por mim.

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- Eu não te odeio Samuel. Eu sou e sempre serei seu amigo. Eu te amo meu amigo.
- O que eu faço Erik? Eu não sei se consigo mais. – afasto-me de Erik, viro-me de costas para ele, e em desespero com as mãos na cabeça pronuncio as palavras que ferem ainda mais meu coração – Ela me culpa pela partida dele. Ela não me ama, queria que eu nunca tivesse nascido. Erik, você entende, minha própria mãe me despreza, me odeia...
- Não! Isso não é verdade meu amigo. Dona Clara te ama. Você é filho dela. Ela...Ela apenas está muito doente. Precisando de ajuda, de um médico. Tire isso de sua cabeça Samuel. Sua mãe te ama.
- Eu já não tenho tanta certeza.
Erik parece não ter palavras naquele momento. Com seus olhos apenas observa meu desespero. Percebo que seus lábios tentam formar algum argumento que tente acalmar meu coração, mas ele desiste, parece não existir palavras certas que possam acalmar a corrente de tristeza que flui dentro de mim. Preciso colocar para fora, tenho que retirar de dentro de mim. Não posso deixar que isso me consumisse.
E ouvindo os murmúrios das águas do rio Paraíba que corria abaixo da ponte do Meteros onde conversávamos parecia que o Paraíba chorava comigo. Conhecia minha dor. Com o sol já se pondo e deixando o dia com o brilho alaranjado, parecendo preparar o dia para a escuridão que se aproximava. Segurei-me na ponte e olhava para o horizonte, meu coração doía, estava frívolo, parecia querer parar de bater para não sentir tamanha dor. Sinto então em meus ombros uma mão. Um aperto. Olho para o lado e vejo os olhos de Erik. Mesmo calado vejo o seu consentimento. No aperto de suas mãos o sinto dizer “eu estou com você”.
Volto meu olhar para o rio caudaloso, suas águas estão negras agora pela escuridão, mas reflete o brilho da lua que nos observa agora do céu sem estrelas. Ergo minha cabeça para o céu e depois olho a minha frente e vejo apenas a escuridão.
O escuro.
O negro.
O Frio.
O Gélido.
Observam-me. Enxergam a minha tristeza. Então, meus olhos se inundam de lágrimas e choro copiosamente. Mas ainda sinto Erik. Ainda posso ouvir sua respiração, sua mão e sua voz:
- Faça!
E com as lágrimas rolando em meu rosto solto o mais alto grito de dor, tristeza e pesar que posso. Ao longe ouço algumas aves alçarem voos, talvez eu as tenha assustado.
Com o grito parece que minhas forças se esvaem e eu caio. Não fosse por Erik tinha caído ao chão e passado a noite ali, mas ele me sustenta, me ergue.
- Venha, meu amigo. Vou leva-lo para casa. Amanhã vai ficar tudo bem.

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Fecho meus olhos e lá está ela. Dany. Ela sorri para mim. Vem vindo ao meu encontro e eu vou ao encontro dela. Como ela é linda. Seus olhos. Seus cabelos. Tudo lindo. Tudo perfeito. Abraçamo-nos. Como é bom estar envolvido nos seus braços e sentir seu perfume. Não! Agora não quero acordar, se é que estou dormindo. Não quero abrir meus olhos e perder este momento. Ela me olha nos olhos, suas mãos agora estão envolta de meu pescoço, alisam meus cabelos. Sinto sua respiração bem perto e seus lábios encostam-se ao meu.
De repente o sinal da escola toca. Ela sorri para mim. Eu sorrio de volta e então ela segura minha mão. Meu coração dispara. É muita felicidade.
O sinal toca novamente, os alunos correm. Tropeçam em nós. Dany cai, tento segurá-la, mas a multidão a arrasta. Derrubam-me. Quando levanto e abro meus olhos, estou novamente no lago com meu pai.
O mesmo sonho. O mesmo pesadelo. Desperto.
03:15 da madrugada. Será que minha vida será assim para sempre?
Penso em levantar e ir a cozinha tomar um pouco de água, mas lembro da noite passada. Do encontro com minha mãe. Definitivamente não estou preparado para outro encontro como aquele. Fico na cama. Embaixo da coberta. Tento não pensar no pesadelo e procuro por lembranças que possam me acalmar. Não tem nada. Nenhuma lembrança. Nenhuma recordação com minha mãe ou com meu pai.
Não consigo mais dormir. Tenho medo de fechar meus olhos e ter aquele pesadelo novamente.

Quero que o dia amanheça. Quero ir à escola. Quero ver Erik. E principalmente quero ver Dany.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO VIII - Autor: Zedekiah

Ele era muito mais que um amigo. Era um irmão.
Lipi.
Era assim que eu o chamava. Achava que ele seria meu único amigo. Meu companheiro de aventuras. Meu confidente. Lipi era leal. Sabe aquele amigo que está pronto pra te defender em tudo. Que sempre estava ali quando você precisava.
É! Mas eu falhei com ele. Eu não pude estar ao lado dele quando mais precisou de mim. Que espécie de amigo eu era.  Filipi sempre dizia:
- Erik, um dia quando eu não estiver aqui, você me promete que vai ajudar uma pessoa como eu lhe ajudei?
Eu olhava para ele e dizia cheio de confiança e segurança:
- Cara, você vai ser a pessoa que mais vai viver neste mundo. Você é querido por todos. Ajuda a todos. O que pode acontecer? Além disso acho que parto desta para melhor primeiro que você.
Ele tocava em meus ombros e me falava: - Então já que é assim, você não tem por que não prometer. – e ficava me encarando com aqueles olhos de cachorro pidão até que eu cedia e prometia.
Mas uma promessa que achei jamais cumpriria. Quando estou só em meu quarto, deitado em minha cama e olhando pra o meu teto estrelado com aqueles adesivos brilhantes, penso naquela manhã fatídica e então meu coração se despedaça novamente...

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- Erik, corre aconteceu um acidente com o Filipi
- Com quem? Com o Filipi? – Levanto-me da carteira e saio correndo atrás do portador de tal notícia e enquanto tento lhe alcançar continuo gritando. – O que houve? Ele está bem? Onde ele está?
Meu coração pressentia que está manhã não seria uma das melhores. “Eu tinha certeza que não deveria ter saído da cama essa manhã” – meus pensamentos me falavam tentando acalmar meu coração.
Empurrando os que se aglomeravam no portão da escola, para abrir passagem por entre alunos que tentavam entrar e outros que apenas conversavam na entrada, finalmente consegui romper a multidão dos alunos, enquanto ouvia ao longe a voz daquele que veio correndo buscar-me:
- Erik, Erik, por aqui! Venha rápido antes que o levem.
Meu coração dispara. Respiro longamente e profundamente e corro. “Preciso socorrer meu amigo. O que quer que estejam fazendo com ele irão se ver comigo.”
Ao virar a esquina é como se o céu que estava tão claro e o sol que estava tão brilhante e quente de repente perdessem todo o brilho.
Meu suor é frio.
Minhas mãos tremem.
Minhas pernas não me obedecem.
Meu peito se aperta.
E eu choro.

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Mudei a posição de minha cama. Arranquei os adesivos brilhantes. Dei uma nova pintura ao meu quarto, mas nada disso adiantou muito.
A dor de perder algo precioso é incomparável. Insuportável. Insubstituível. Um dia ela diminui, mas nunca se perde com o tempo. Sempre estará lá. Lembrando a dor da perda.
Alguns meses depois fui obrigado por minha mãe a sair de casa. Ir a praça, ao parque, cinema, jogar bola e o que mais garotos da minha idade fizessem. O que ela queria mesmo era que eu voltasse a ser o Erik de antes. Não na verdade ela queria que eu fosse o Erik feliz, alegre e sorridente depois que conheci o Filipi.
Antes de conhecer Lipi, eu não tinha amigos. Vivia de “carão” e não queria ninguém por perto. Era infeliz. Sem amigos para compartilhar qualquer descoberta, fosse grande ou pequena. Com grande significado ou sem não. Mas ele me viu e se grudou a mim, mesmo quando eu lhe dizia que se afastasse ou ele se machucaria. Ele sorria e com aqueles olhos negros dizia:
- Machucar é bom, nos ajuda a aprender e não repetir nossos erros de novo. Quero ser seu amigo e vou ser. Queira você ou não.
É ele era teimoso feito uma mula. Não gostava de ver ninguém cabisbaixo. Terminou que nos tornamos melhores amigos, sendo ele o irmão que nunca tive e meu único melhor amigo.
Mas Deus o tomou para Si. E isso quase me afundou. Quase me matou de desgosto. Não fosse pela promessa. Ele sabia. O teimoso parecia saber o que aconteceria e garantiu que eu me reergueria como a fênix e que jamais voltaria a ser o mesmo Erik que fui antes de conhecê-lo.
Bom, alguns meses depois, finalmente minha mãe convenceu-me a voltar a escola. Foi quando eu conheci o Samuel. Lembrei-me da promessa e estou tentando cumpri-la.

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- Cara, você precisa sair dessa. Se chegar as pessoas. Fazer amigos. É disso que você precisa: AMIGOS.
- Ah tá olha quem fala. O cara que só tinha um amigo.
- É verdade Samuel. Tinha um. Não tenho mais um, eu tenho vários. Mas e você? Só tem a mim. Do que você tem medo?
- Não tenho medo de nada Erik. E fique você sabendo que tenho outra amigas sim.
- Amigas!? Ah, sim você fala de Dany e Evellyn. Se analisarmos a Dany nem pode ser chamada de amiga, porque você quer algo mais com ela. E quanto a pobre da Evellyn ela veio de brinde com a Dany.
- Sério isso? Você agora vai ficar pegando no meu pé Erik? Não quero amigos, e você só é meu amigo hoje porque insistiu muito. Grudou em mim feito, feito, feito... sei lá o que.
- Sorte sua hein pode dizer...
- É sim. Muita sorte. – vejo então no olhar de Samuel um misto de tristeza e dor.
- Qual o problema meu amigo? Me conta o que te deixou assim.
- Não dá pra esconder nada de você né?
- Você sabe que não. Então desembucha logo. Se não puder ajudar pelo menos posso te ouvir.
- Tudo bem! Na noite passada tive um sonho com meu pai.
- E por isso você ta assim? Samuca por favor, eu já te disse...
- Claro que não! Não foi um sonho e sim um pesadelo. Ele me afogava! – Samuel dizia isso com os olhos cheios de lágrimas. – Você me entendeu? Meu pai me afogava Erik. Ele nunca me amou. Sempre me odiou – rompendo em um choro angustiante Samuel continuou – Nos abandonou por minha causa, nunca me amou. Minha mãe me odeia. Todos me odeiam. E você me pede para fazer amigos.
Envolvo-o em um abraço apertado, enquanto ele se debate e ofereço-lhe as únicas palavras que posso pronunciar com olhos nublados pelas lágrimas e a voz embargada de dor pelo sofrimento de meu melhor amigo.
- Eu não te odeio Samuel. Eu sou e sempre serei seu amigo. Eu te amo meu amigo.
Lembro-me então de Filipi. De suas palavras: “- Prometa-me que vai ajudar...”
Nesse momento meu coração não suporta e reafirmo ali, abraçado a Samuel, a promessa feita a tanto tempo.


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO VII - Autor: Zedekiah

A FELICIDADE
Capítulo VII

De sobressalto acordo e percebo que tudo não passou de um sonho. Na verdade, de um pesadelo. Estou suado, a respiração ofegante e minhas mãos estão tremulas. Procuro manter a calma e controlar minha respiração. Sento-me a beira da cama procurando por minhas sandálias. Calço-as e espero alguns segundos até ter a certeza de que se ficar em pé não cairei. Não desejo acordar minha mãe com um susto.
No caminho a cozinha, vou pensando neste mesmo pesadelo que venho tendo a tanto tempo, a mais ou menos três anos. Sim, é isso mesmo, eles começaram quando ele nos deixou.
Estamos em um parque, meu pai e eu, que por mero capricho do destino também se chama Samuel, não sei qual o motivo de minha mãe ter optado por este nome, ela nunca me contou e quando pergunto ela sempre arruma uma forma de não responder. Já desisti de saber.
O parque tem árvores frondosas, com folhas bem verdes, copas grandes abriga ninhos de pássaros que se sentarmos embaixo de seus galhos podemos apreciar o canto deles. As gramas verdejantes nos permitem correr, deitar e brincar até nos cansarmos. Bem no centro do parque existe um lago, e é para lá que meu pai me leva. No primeiro momento, sinto suas mãos no meu ombro a me guiar, como se não quisesse que eu me afastasse dele, algo dentro do meu peito sente uma alegria, uma felicidade ao sentir o seu toque, o aperto de suas mãos em meu ombro. Olho para ele, seus olhos estão fixos a frente. Ele olha para o lago, direciono então meu olhar para o lago e posso contemplar as aves que lá estão. São gansos, patos e cisnes, alguns nadam, outros banham-se enquanto dezenas de pessoas os observam. As aves parecem fazer pose, gostam de se exibir e o fazem com maestria. A cada passo nos aproximamos mais e mais do lago. Agora entendo porque meu pai não tira os olhos do lago, não consegue mudar o foco da sua visão. O lago parece uma pintura, tão linda, tão bela transmitindo paz e calma a quem lhe observa.
É quando tudo muda. É quando a paisagem se torna um grande borrão. O artista parece não ter ficado satisfeito com a sua pintura. Chegamos a borda do lago, meu pai vira-me para ele e posso finalmente ver seus olhos cor de mel, mas espere, eles estão negros, transmitindo tristeza, dor e pesar. Não ele não olhava a paisagem, ele observava a água. Segurando-me com força, inclina-me sobre as águas e segura-me embaixo da água. Debato-me e luto para desvencilhar-me de suas mãos, de seus braços, mas ele é forte demais. E percebo que tudo ao meu redor torna-se escuro e frio. Já não sinto seus braços e mãos. E aí que de um salto eu desperto.
Três anos.
O caminho para a cozinha para ser tão extenso. Sinto algo quente correr sobre minha face. Por mais que eu não queira derramar uma lágrima, não consigo conter-me, é mais forte que eu. Pensar que o homem que me gerou foi capaz de me abandonar é uma dor maior do que qualquer outra. Não entender o motivo é pior ainda.
Será que ele não me amava? Será que um dia ele me amou? Teria ele coragem de me matar? Questões que jamais terei respostas.
Levo um susto, quando acendo as lâmpadas da cozinha e a vejo ali, sentada a mesa no escuro olhando para mim. Seu olhar está diferente. Parece que algo se acendeu nele. Ainda que seja uma pequena luz de esperança. Ela mudou. Algo a fez mudar.
- Mãe!!! Que susto a senhora me deu.
- Desculpe Samuel, não foi minha intenção...
- Tudo bem! – dirigindo-me a geladeira – Da próxima vez acende as lâmpadas. A senhora está bem? Precisa de alguma coisa?
- Não, eu estou bem, meu filho. Pode ir para a cama.
- A senhora não vai?
- Não, vou esquentar um leite e depois eu vou.
- Tá bem então. – estou voltando para o quarto quando de repente sinto as mãos de minha mãe segurando as minhas.
- O que foi mãe?
- Filho, me desculpe se nunca falei muito do seu pai, é que – lágrimas começam a descer por sua face – é que é muito difícil pra mim...
- Mãe! Eu sei, não precisa. Ele te largou. Te abandonou. Eu te amo mãe, mas você precisa esquecer ele. A senhora precisa viver.
- Quando você nasceu, eu pensei que tudo seria diferente. Que tudo voltaria ao que era antes, mas...
- Mãe do que a senhora está falando? Como assim voltar ao que era antes? A senhora precisa descansar, venha vou leva-la para o quarto.
- Não eu preciso falar. Eu preciso que você saiba. – minha mãe estava sofrendo, disso eu já sabia, mas agora era diferente. Parecia que ela escondia algo de mim há muito tempo e agora precisava me contar. – Foi quando você nasceu que eu perdi. Foi quando você nasceu que a minha alegria foi embora, que minha felicidade se perdeu.
E voltamos a mesma história em que todos culpam o Samuel de algo que ele nem sabe, mas tudo bem.
- Mãe do que a senhora está falando? O que eu fiz a senhora perder quando nasci? Porque?
Nesse momento posso ver seus olhos úmidos, molhados de lágrimas e vermelhos como o sangue. Não havia apenas lágrimas, existia dor e muita tristezas neles. E quando ela fitou meus olhos eu pude sentir toda a dor que ela sentia. A culpa me consumia por isso, mesmo sem saber o motivo, eu sabia que ela me culpava de verdade e isso me frustrava, me arrasava.
Eu já não tinha certeza se eu era amado.
- Porque, porque você nasceu?
- Mãe eu... – ao ouvir isso, meus olhos se encheram de lágrimas e corri para meu quarto fechando a porta e tentando esconder-me de tanta infelicidade. Mas era em vão eu podia ouvir o lamentar de minha mãe que chorava e gritava que eu era o culpado.

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Amanheceu!
Finalmente o sol resolveu dar o ar da sua graça. Meu desejo era esquecer tudo daquela noite. O pesadelo. Minha mãe. Meu pai. Troquei de roupa o mais rápido que pude, peguei minha mochila e sai para a escola. E dessa vez peguei o caminho mais longo. Precisava caminhar. Precisava reordenar as minhas ideias.
“Se eu tivesse 20 anos ou se eu trabalhasse, poderia sair de casa. Morar só. Sim, morar só essa seria uma boa solução. ”
Não sei o que houve naquela noite. Por mais que tente não consigo entender. Minha mãe parecia tão bem esses dias. De repente uma recaída brusca dessas. Não sei o que vou fazer agora. Meu refúgio por enquanto é a escola. Lá terei um pouco de paz e quem sabe esqueço tudo e quando retornar tudo já estará normal. Queria que tudo isso tivesse sido um sonho, um pesadelo.
Chego na escola mais cedo do que o de costume, então resolvo ir à biblioteca, hoje é quinta-feira e quero revisar o trabalho antes de apresentar em sala.
- Samuel! Samuel! – Aquela voz. Nossa como uma simples voz, pode mudar tudo. Uma voz tão doce que consegue acalmar os pensamentos e nos fazer esquecer momentaneamente nossos grandes problemas. – Samuel, você está me ouvindo. Tá tudo bem?
- Eh, ah! Oi tô ouvindo sim, como não poderia. – na presença dela fico perdido, desconcertado. Mas é tão bom, é tão gostoso.

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“Não sei se é rosa, azul ou verde ou para sempre a água que matará a minha sede. Não sei se é mágica ou encantamento, se vai ser só flores ou virá tormento. Não estou certa se teremos uma vida longa de muita sorte ou se no meio do caminho encontraremos a morte.

Não estou certa se algo bom vai acontecer ou se ele vai embora ao amanhecer. Não quero saber se teremos na conta um milhão, mas quero que toda noite ele segure minha mão. Não quero saber se teremos uma casa em Nova Iorque, Recife ou Ipanema, mas quero-o comigo para resolver esse dilema.

O que importa se serei chefe ou subordinado? Se ele está incondicionalmente ao meu lado.
O que importa se farei faculdade, curso técnico ou se ficarei à toa? Se ele apoia tudo isso “numa boa”. Quem sabe se amanhã caminharei para o norte ou para o sul? Se meu vestido de noiva será branco ou blue?

Não me perguntem sobre o amanhã ou o que na minha mente se passa, pois até aqui o presente me basta. Ainda não sei se será para sempre ou eterno enquanto dure, porém quero que seu sorriso sempre me cure. Sei que é amor e é incondicional. Que é muito importante e não é banal, que me faz muito bem quando estou mal.
O resto? Deixo no etc e tal.”¹

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- Você passou por mim e não falou. Tá fugindo de mim?
- Eu? Fugindo? Não, fugindo, não. Desculpe é que realmente não te vi. Estava indo na biblioteca rever um trabalho...
- Tudo bem. Posso ir com você?
- Claro. Se você quiser, porque com certeza eu quero – Opa! O que eu to falando. Ela olha para mim e sorri e começa a caminhar enquanto eu fico ali parado.
- E então, você vem ou não.
- Vou!
E vamos seguindo para a biblioteca, como queria que este caminho não tivesse fim. A presença dela me dava uma sensação de paz interior. Com ela era mais fácil sorrir. Infelizmente chegamos a biblioteca. Entramos e passamos por D. Neide que olha para Dany com um olhar de cumplicidade, e o mais estranho e que Dany retribui o olhar com algo mais, com um sorriso. Sentamos na mesma mesa. Dany deixa sua bolsa, caderno e livros e se dirigi a um dos corredores da grande biblioteca e enquanto ela vai, não consigo desviar o olhar dela.
Descubro então que realmente estou apaixonado.



¹ Só sei que é amor - texto cedido pela minha amiga Bruna Ramos. Você pode ler este e outros textos em http://bruna-wwwvalsadaspalavras.blogspot.com.br/

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO VI - Autor: Zedekiah

Capítulo VI


- Você está bem?
- Sim, obrigada! Se não fosse por você...
- Inda bem que eu ia passando. Mas o que houve você escorregou?
- É! Sou meio desastrada mesmo.
.............

E por um tempo ficaram ali em frente a biblioteca sem trocarem uma palavra. Minutos apavorantes em que os pensamentos estavam a mil quilômetros por hora. Dany pensava: “pronto agora é que ele num vai querer nem ser meu amigo”, e Samuel pensava com seus botões: “diz alguma coisa, babaca, pergunta o nome dela”, mas parecia que ambos não tinham coragem, estavam travados, seus pés não se moviam e seus lábios não conseguiam pronunciar palavra alguma.
- Você não quer sentar um pouco? – Perguntou um Samuel receoso, temeroso por um não como resposta – Tem um banco livre ali, assim você se recupera um pouco do susto. Posso te acompanhar – nesse instante Dany levanta a cabeça e olha para Samuel – Se você quiser claro.
- Tudo bem! Acho que preciso sentar um pouco.
E lá foram eles, ainda não sabiam o nome um do outro, ou a história, mas naquele dia, naquele momento uma história nova estava sendo escrita para Dany e Samuel.

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- Não!
O som da voz e imponência com a qual foi dita, transmitia todo o ódio e desprezo que uma pessoa poderia transmitir a outra.
- Quantas vezes tenho de lhe dizer, não nasci para ser PAI. Já falei e vou lhe repetir eu lhe amo, mas se você levar adiante essa gravidez e ter esse filho, você vai me perder para sempre. Você me entendeu? Sempre!
- Eu não posso fazer o que você me pede, é contra os meus princípios. É uma vida que tenho em meu ventre e eu...
- Vida!? Você chama isso de vida. Ainda não tem nem um mês, como você pode dizer que é uma vida. Ele, ela ou o que estiver em seu ventre vai acabar com nossas vidas para sempre. – aproximando e com a voz suave e mansa ele prossegue:
- Não vai doer nada, e em poucas horas teremos nossas vidas de volta. Entenda por favor, não estamos prontos para sermos pais.
- Não, você não me ama, nunca me amou – seus olhos vermelhos, seu rosto banhado em lágrimas – Se o sentimento que diz sentir por mim fosse real e verdadeiro estaria a meu lado, me apoiaria e jamais pediria para que eu tirasse nosso filho.
- Seu FILHO – dessa vez ele grita e esmurra o tronco da árvore que os abriga naquela tarde – não meu. Eu nunca o quis! – é possível notar uma lágrima timidamente escorrer pela face daquele homem.
A tarde, por mais brilhante e ardente que estivesse, trazia para aquela jovem uma notícia de tristeza e pranto, sua vida estaria agora destruída. Seus sonhos lhe foram destituídos e o jovem que lhe fizera juras de amor naquele mesmo local, sobre a sombra da frondosa árvore agora lhe dizia que seu amor não suportaria uma gravidez. E a proposta que lhe fizera lhe partirá para sempre o coração. Não teria coragem de tirar, matar o filho que estava em seu ventre, mas seu coração não suportaria perder o amor de sua vida e isto a tornaria uma mulher amarga e triste.
A família quis manter as aparências Carla e Samuel casaram-se e a jovem acreditou que isso resolveria, que quando a criança nascesse Samuel se arrependeria do que disse e amaria o filho e voltaria a amá-la mais ainda. Mas os meses passaram a criança nasceu, um menino. Carla deu a criança o nome do pai para amolecer o seu coração, mas não adiantou:
- Seu nome será Samuel – disse ela esperando uma reação de alegria.
- Tanto faz. Por mim pode chamá-lo do que quiser. – E saiu cabisbaixo para encontrar-se com amigos em uma mesa de bar.
Assim os anos passarão. E a cada ano a frieza entre Samuel e Carla crescia e por mais que ela fizesse para aproximar pai e filho nada dava certo, apenas o afastava cada vez mais dele. Já não eram um casal, não conversavam, não riam, a cumplicidade acabou. Carla começou a culpar o filho pelo distanciamento do esposo. Perdeu os momentos mais importantes da infância de seu filho. Chorava sempre, pois ainda amava seu esposo, e quando o pequeno Samuel adoecia, não suportava vê-lo chorar, e o levava para casa de sua mãe para que ela cuidasse dele. Tornou-se uma mãe desleixada, colocava a culpa de sua infelicidade no pequeno Samuel. Os anos passaram, e seu esposo saiu numa manhã e nunca mais retornou, isso a deixou amargurada e sua vida agora era procurar rastros de seu marido e quando descobria algo dele em alguma cidade, se mudava para lá na esperança de encontrá-lo.
E a notícia de que seu grande amor estava de volta a cidade a alegrou, deu-lhe um pouco de esperança. Mas a sua felicidade na pequena cidade de Cajueiro-AL estava longe de chegar. E eventos do passado tornaria a situação ainda mais complicada. O passado as vezes abre feridas a muito cicatrizadas.

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- Desculpe-me nem lhe disse meu nome – e erguendo a mão disse – Danny.
- Samuel! Meu nome! Meu nome é Samuel – disse com tanto entusiasmo que Dany não se conteve e deu um leve sorriso.
Samuel achou aquele o sorriso, mas lindo que já vira em sua vida. Estava tudo tão lindo, tão bom, tão gostoso que nenhum dos dois queriam ir embora. Aquele momento em que eles não sabiam o que falar tinha desaparecido, a cumplicidade entre eles parecia ser de muitos anos. E a tarde já se ia e o pôr do sol era algo maravilhoso de se ver, parecia que a natureza saudava aquele encontro.
- Nossa as horas já se passaram.
- É foi tão rápido, acho que você tem de ir não é Dany?
- Sim, tenho de ir! Mas foi muito bom conversar com você e obrigado por me salvar!
- Não tem de que. Precisando estou por aqui. – Dany sorri – Não! Não que eu queira que você fique tropeçando por aí é só... Annn deixa prá lá você me entendeu, né?
- Claro! – sorrindo Dany levanta-se e vai andando, partindo daquele encontro maravilhoso.
Enquanto ela lhe dá as costas Samuel fica ali observando, deixando que ela lhe escape por entre seus dedos. Precisa fazer algo, tomar uma atitude, dizer alguma coisa.
- Dany! – ele a chama com uma voz de desespero e insegurança – Ainda vou te ver? Quero dizer...
- Espero de coração que sim! – sorri e volta a caminhar
O coração de Samuel dispara, bate forte. Seu desejo é pular gritar, sorrir e quem sabe até chorar. É um misto de alegria e euforia que ele não consegue controlar. Nunca havia se sentido assim, nunca esteve tão feliz.

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- Eu tenho de vê-lo. Me encontrar com ele, você entende? – as lágrimas rolam pelo rosto de Clara. – Todo esse tempo eu o odiei, sem saber porque ele sumiu por tantos anos. Abandonou a mim. Abandonou a Samuel. Eu preciso
- Clara! Pare, você sabe que ele nunca se importou de verdade com Samuel. Ele nunca fez questão de estar presente na vida do filho. Você já pensou em seu filho? Você já imaginou qual seria a reação dele quando souber que o pai está de volta na cidade?
- Eu ainda não disse nada a ele. E você também não vai dizer – demonstrando grande nervosismo Clara segura a mão da amiga Júlia e implora – Me prometa que você não vai falar nada.
- Tudo bem Clara, mas a cidade é pequena e você sabe o povo vê e não se cala. Você não poderá esconder por muito tempo essa situação.
- Eu só preciso falar com Samuel e tudo vai voltar a ser como antes – fitando e fixando o olhar no além Clara sonha.
Sonha com o dia em que conheceu seu grande amor: Samuel. Volta ao tempo em que ele chegava em sua casa segurando um ramalhete de margaridas, suas flores preferidas, dizendo que a amava, beijando-a e fazendo promessas de amor eterno.
- Ele ainda me ama Júlia. Eu sei. Tenho certeza disso. Nós ainda seremos uma verdadeira família. Felizes e cheios de amor.
- Clara, por favor, não se agarre a esperanças ainda, você melhor do que ninguém o conhece e...
- Sim, Júlia eu o conheço. E é por isso que sei que ele voltou para mim. Voltou para sua família. Vou falar com ele e tudo será felicidade.
- Minha amiga, ele sumiu por 3 anos. E por todo esse tempo não deu notícias, nem pra saber se o filho estava bem ou se você precisava de alguma coisa. Só te peço tenha cuidado para não se machucar mais ainda.
O que é o amor? As vezes nos cega e as vezes nos permite viver momentos indescritíveis de felicidade e prazer. Clara ansiava pelo momento em que pudesse abraçar seu verdadeiro e único amor.

Mas que segredos Samuel escondeu durante esses anos de sua ausência. O que lhe fez sumir, desaparecer sem deixar vestígios. Será que ele voltou para a família, para reviver o seu grande amor?

A FELICIDADE - CAPÍTULO V - Autor: Zedekiah

Capítulo V


“Chega perto, não diz nada, apenas abrace-me e deixe que eu sinta a vibração da tua pele. Fica aqui em silêncio, deixa-me escutar a tua respiração e assim nossos pensamentos fluirão num único e pulsante propósito.

Acaricia minhas costas enquanto sinto o subir e descer do teu peito que abriga a caixa tão preciosa onde me guardas e assim deixe que uma aura nos envolva. Não tente entender, viva esse momento, sinta a magia e talvez ouças os murmúrios da minha alma.

Gentilmente solte-me e segurando-me pelas mãos, dê-me àquele sorriso e enfim diga: “Eu te amo!”, prometo que retribuirei com iguais palavras e farei esse momento eternizar-se em nossas memórias. Se uma lágrima trilhar os caminhos da minha face, não se assuste! É apenas o coração transbordando a magnitude desse momento.”¹


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O momento.
Nossa vida é feita de momentos. Momentos bons ou ruins. Quem os define somos nós. Quem diz como será esses momentos também somos nós. A primeira viagem, o primeiro sorriso, o primeiro encontro e o primeiro beijo. “Sublime momento¹.” E se deixarmos esses momentos passarem, nos arrependeremos para sempre.
Lá estava eu. Sozinha com um papel na mão e com uma dúvida cruel em minha mente. Que decisão tomar? O que fazer?
Um endereço. Um nome: Samuel Amorim.
Ir até a sua casa seria uma boa, mas e quando chegasse lá o que eu faria? O que eu diria quando o visse na porta olhando para mim.
Não, eu não poderia ir até lá, teria que esperar por uma ocasião melhor, por um momento adequado para falar com ele. Minha preocupação era saber quando esse momento chegaria e se algum dia ele chegaria.
O silêncio da biblioteca às vezes me incomodava. Ver todos aqueles alunos ali sentados com suas cabeças baixas, seus olhos vidrados em livros parecendo hipnotizados naquele momento me angustiava, eu precisava sair dali.
Não era a biblioteca, nem os alunos que me angustiavam, mas era a minha indecisão. Agora que sabia seu nome e onde morava me deixava furiosa comigo mesma por não ter a coragem de fazer o que meu coração mandava. E isso era medo. Medo de não ser correspondida, de que ele não demonstrasse sentir o mesmo que eu achava sentir por ele. Medo de ser desprezada por alguém que talvez eu amasse. E o medo muitas vezes nos faz perder os momentos sublimes que podemos viver.
Parada ali na frente daquele balcão, decidi por fim que era hora de agir e não esperar pelo destino. Decidi que era o momento de falar com ele e ver o que iria acontecer. Se tiver de ser será. E olhando para a sombra de livro que a luz refletia através da porta da biblioteca disse para mim: “É hora de escrever a minha própria história". E caminhei em direção à porta que me levaria a felicidade.

----- / -----

Os momentos que mais gostava era ficar só. Na verdade era caminhar só. Pensar, refletir sobre a vida. Sobre a minha vida em especial. Mas ficar só já não estava sendo mais tão satisfatório e prazeroso. Depois daquele encontro na biblioteca meu coração não desejava mais ficar só, caminhar só, rir só. Meu coração queria compartilhar estes momentos com alguém.
Enquanto caminhava e pensava se seguiria o conselho de meu amigo em procurar Dona Neide ou não, podia ver casais sentados dividindo um sorvete, rindo de alguma piada, conversando, compartilhado pequenos momentos, que por mais simples que fossem os aproximavam cada vez mais, ajudando a criar laços fortes e sinceros. Era isso que eu queria, pequenos momentos que ficariam gravados na minha mente, infelizmente para isso teria de falar com D. Neide.
O que realmente me incomodava não era perguntar quem era aquela garota, e sim o depois.
Erik me deu uma saída, mas não pensou no depois. Sim e depois que conseguir o nome dela e descobrir quem é ela, o que eu iria fazer?
Bom eu teria duas opções, a primeira era ficar apenas seguindo e olhando para ela e a segunda era dizer o que sentia. Mas a dúvida era e se ela risse de mim ou gostasse de outro, ou um namorado que amasse demais, eu só arrumaria confusão. E definitivamente eu não queria isso. Minha vida já era uma confusão sem isso, não precisava de mais complicação nela. Já tinha minha mãe.
Minha mãe. Isso mesmo ainda tinha minha mãe, que menina em perfeito estado ia querer uma sogra que digamos não era nada normal e cheia de problemas? Nenhuma! Melhor deixar do jeito que está. Se o destino não quis que nos encontrássemos de novo deve haver uma razão.
A fachada era antiga. Acho que do século 18 ou talvez 19, cheia de elementos belos e decorativos parecia até uma igreja, mas quando se olhava para cima de suas belas portas, podia se ver o letreiro que dizia: “Biblioteca Professor Astrogildo Silva”. Não sei como cheguei ali. Parado diante daquelas portas o medo paralisou minhas pernas. O que deveria fazer? Que decisão tomar? “Entrar ou não entrar, eis a questão!”
O que eu decidisse naquele momento mudaria minha vida. Eu tinha uma escolha e isso me dava medo. As mudanças nem sempre são acompanhadas de coisas boas e alegres, às vezes vem recheadas de dor e lágrimas.
Quando nos mudamos pela primeira vez, não foi tão fácil. Lembro que não tínhamos escolha, minha mãe disse que não teve escolha. Eu chorava muito por ter de sair da minha cidade e deixar amigos que comigo compartilharam momentos tão bons. Depois disso prometi a mim que jamais faria amigos de novo, mas quando cheguei aqui Erik não me deixou cumprir está promessa. Ele meio que me perseguia, sentava ao meu lado na hora do intervalo e falava por horas, e mesmo quando eu não o respondia não se importava e continuava a tagarelar. Mas quando um dia ele não estava lá, percebi que sentia sua falta, daí em diante ele tem sido meu único amigo.
Não curto muito mudanças, ou melhor, não curto o que vem junto com elas.
Enquanto estava em meu dilema, a porta foi abrindo trazendo para mim a mudança que eu tanto queria e temia. O momento sublime que eu tanto esperava para mim. Para nós.

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Foi como um filme, as portas se abrindo e a felicidade ali, simplesmente parada à minha frente. Nesse instante, resolvi não perder a oportunidade e viver aquele momento.
Fui caminhando em sua direção, quando ele também começou a andar em minha direção, a afobação foi tanta que não sei como, escorreguei no degrau e se não fosse por ele teria me estatelado no chão. É o destino tem dessas coisas...

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Eu parado ali na frente da biblioteca pensando o que fazer e como fazer. Tentando tomar coragem, quando de repente vejo as portas se abrirem e para minha surpresa ela sair e vir em minha direção. Ela vinha em minha direção, e agora o que vou fazer, não podia ficar parado ali feito um poste e resolvi avançar também. E num piscar de olhos aconteceu...
Agora ela estava ali em meus braços. Eu, Samuel, fui o seu salvador. Foi tudo tão rápido, mas a sensação foi maravilhosa. Naquele momento soube que queria proteger aquela garota para o resto da minha vida.



¹Sublime Momento - texto cedido pela minha amiga Bruna Ramos. Você pode ler este e outros textos em http://bruna-wwwvalsadaspalavras.blogspot.com.br/

A FELICIDADE - CAPÍTULO IV - Autor: Zedekiah

Capítulo IV


Dim! Dim! Dim! Dim!
Ao ouvir esse som sentia um aperto em meu coração. Meus pensamentos paravam e o meu coração desejava que este momento não houvesse chegado. A escola era o meu refúgio.
As reclamações que sempre ouvia de meus colegas sobre ter de acordar cedo e vir para escola, quando poderiam estar em casa dormindo e jogando “Mário Bross” não fazia sentido para mim. Retornar para casa era a última coisa que eu gostaria de fazer não só hoje, mas todos os dias. O fim de semana era mortal, se pudesse me distanciaria o máximo que possível.
Porém, minha realidade era outra.
Dim! Dim! Dim! Dim!
Este era o som que apertava meu coração, que tornava o meu dia de sol em um nevoeiro escuro, gélido e solitário. Minha casa, retornar para ela não me dava prazer. Não ansiava correr em sua direção, pois sabia o que me aguardava ao atravessar a porta. Claro que amo minha mãe, mas acho que a vida já lhe surrou tanto que ela endureceu, criou ao seu redor uma espécie de blindagem que na verdade não lhe protege e a cada dia lhe deixa com cicatrizes que jamais sumirão e por mais que tente não sei o que fazer.
“Aquela que é forte”!
Este é o significado do nome dela, mas assim como Sansão ela perdeu a força já a muito tempo. Digo que a diferença de minha mãe para com Sansão é que ele perdeu a força, mas conseguiu tê-la novamente, minha mãe por sua vez parece ter desistido de viver.
Eu gostaria de ver novamente a Dona Carla sorridente, feliz, que sempre estava rodeada de amigos, que sempre tinha uma palavra de ânimo, um ombro amigo nos momentos que mais precisávamos. Gostaria de ver novamente o brilho da vida em seus olhos cor de mel, a alegria em seu semblante a me ver chegar em casa depois da aula, sentar e saborear um almoço preparado por ela para mim.
Desejos. Sonhos. Lembranças que a vida e o tempo fizeram questão de destruir e deixar claro que jamais voltariam. Que minha vida e de minha mãe nunca mais seriam as mesmas. A vida fez questão de me mostrar que se um dia pensamos que éramos felizes, nos enganamos.
- Samuel, você e eu, meu filho, não fomos feitos para ser feliz. A felicidade não existe para nós. Contente-se e aceite o que a vida lhe reservou.
Era assim que ela encerrava a discussão quando eu lhe questionava o motivo de tanta amargura e sofrimento em sua vida. Eu só queria minha mãe de volta e por ela eu era capaz de tudo.
Dim! Dim! Dim! Dim!
Este som me trazia a realidade de novo.
- E então Samuel, vai conosco bater aquela peladinha? Não vamos demorar, uma hora no máximo.
- Não vai dar. E Erik você sabe muito bem que ainda tenho de terminar o trabalho sobre o JK.
- Trabalho!? Ah, lembrei aquele que você não conseguiu terminar porque uma bela garota sentou-se à mesa onde você estava, tirou sua concentração e deixou você sem palavras. É esse?
- Hahahaha! Tô rolando de rir. Sim é este. E, aliás, o senhor também tem um trabalho para entregar.
- Ei! Você conhece as teclas “CTRL+C” e “CTRL+V”? Elas são muito minhas amigas, posso te apresentá-las.
- Não, obrigado!
- Samuel, sério cara, porque você não perguntou o nome da garota? Agora você nem sabe como achá-la.
- Eu já disse não tive coragem. O que você queria que eu fizesse?
- Ora o que todo mundo faz: “Oi! Meu nome é Samuel e o seu?” Viu como era simples, mas com você tudo é complicado.
- É, mas agora não adianta mais. O melhor a fazer é esquecer aquela garota e seguir em frente.
- Tudo bem! Se você acha que vai conseguir esquecer. Só acho que você deveria falar com Dona Neide. Cara ela sabe tudo, conhece todo mundo e com certeza te daria alguma informação sobre a “garota misteriosa”.
- Quê? Você tá maluco se acha que vou fazer isso. Além do mais, Dona Neide pode ver, ouvir e até saber de tudo, mas é uma pessoa muito discreta e não iria sair falando só porque eu perguntei.
- Ok! Você que sabe. – enquanto falava, Erik se afastava indo de encontro aos outros amigos, que iriam com ele jogar futebol. – Mas pense: o que você teria a perder?
Perder! Já perdi tantas coisas na vida que poderia fazer uma lista com elas para ele. Estou começando a pensar que Erik talvez tenha razão, no máximo a resposta que posso ter de Dona Neide é um sonoro NÃO.
Caminhando entre os corredores da escola em direção à saída principal comecei a pensar e a confabular como deveria indagar a Dona Neide sem ser inconveniente. Naquele dia minha intenção não era ir a biblioteca, mas enquanto caminhava desviando-me de alunos que iam e viam, sorriam e falavam sem parar, pareciam até que suas vidas era um verdadeiro mar de rosas belas e sem espinhos alguns. Muito deles não precisavam preocupar-se com o horário do ônibus, pois tinham seus pais em seus belos carros de vidros fumês que vinham diariamente buscá-los na escola. Faziam questão de mostrar que tinham posses e que os pais ou motoristas vinham pegá-los. Ás vezes me perguntava o porquê de estudarem em escola pública quando tinham perfeitas condições de pagar uma escola particular.
Bem o que importa mesmo é que enquanto caminhava para sair da escola e retomar a minha “vida real” deparei-me de frente às grandes portas da biblioteca, não sei como cheguei ali, mas ali estava eu. Parado, diante das portas da biblioteca e agora decidindo se deveria ou não seguir o conselho de meu amigo e tomar um belíssimo “não” de Dona Neide.

A decisão era minha e de mais ninguém.

A FELICIDADE - CAPITULO III - Autor: Zedekiah

Capítulo III


Distante!
Essa é a palavra para descrever o que senti em relação a ele no primeiro momento.
Não consigo entender os garotos, primeiro fez questão de que me sentasse depois me ignorou. Era como se eu nem estivesse ali ao seu lado e nem sequer meu nome perguntou.
Dava a impressão de que estava mergulhado em seu livro de História do Brasil, percorrendo cada um dos detalhes que o amontoado de palavras existentes naquelas páginas lhe proporcionava. Mas naquele momento eu estava enganada, a verdade era que eu o intimidava, deixava-o sem palavras, sem ação, e o pobre coitado queria ainda deixar a impressão de que era estudioso, um nerd, e que a História do Brasil era muito, mais muito interessante.
Não funcionou mesmo! E eu sai daquela biblioteca passada. Não! Claro que eu não estava apaixonada por ele, mas qual mulher não quer os homens babando por elas?
Nós passamos horas ali sentados na mesma mesa sem trocar uma palavra, sem emitir um som sequer. Ao redor podíamos ouvir o farfalhar das páginas dos livros de outros estudantes serem viradas e reviradas. Cadeiras sendo arrastadas e muitas vezes ouvia-se o sussurrar de alguns que esqueciam estar em uma biblioteca para então serem relembrados com um sonoro “PSIU” de Dona Neide solicitando silêncio.
Era somente neste momento, sim o momento do “PSIU” de D. Neide em que ele levantava a cabeça para ver quem era o repreendido, que eu podia contemplar os seu rosto, e foi essa cena que perpassou em minha mente por várias e várias semanas, martelando, perturbando meus pensamentos e deixando-me atordoada e perdida em meus estudos.
Quem era ele?

--- / ---


- E então alguma novidade?
- Novidade? Porque eu teria alguma novidade, Evellyn?
- Sei lá! Você tem andado tão diferente ultimamente. Ah, e nem me venha dizer que é os estudos, que você tá muito cansada, não! Você tá diferente, até parece outra pessoa.
- Evellyn, por favor, né! Eu não pareço outra pessoa coisa nenhuma e, aliás, quem era que dizia: “Você tem que mudar, deixar os estudos de lado, ser diferente, quem era hein?
- Hummm! E de uma hora pra outra você resolveu me escutar!
De repente Evellyn me segura, se coloca em minha frente e diz com um ar de seriedade:
- Sério quem é você e o que você fez com minha amiga?
- Você tá sendo dramática agora! – Desvencilho-me de Evellyn e vou em direção a biblioteca, mas antes de entrar escuto as últimas palavras que ela grita em minha direção:
- A Dany que eu conheço nunca seguiria meus conselhos. Nunca!
Ela tinha razão, mas eu não podia simplesmente dizer “Evellyn, eu conheci um carinha dia desses e acho que tô apaixonada”, não posso. Inda mais que a situação piora quando penso que não sei nada sobre ele, nem seu nome eu sei.
E se ele se chamar Sebastião, Josefino ou qualquer outro nome desse tipo que serve para os caras fazerem chacota na sala de aula. Você já pensou eu estar no corredor e alguém dizer:
- Olha lá a namorada do Josefino!
Definitivamente não combina comigo.

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Minha esperança era que ele estivesse lá. Na mesma mesa, no mesmo lugar. Quem sabe até com o mesmo livro. Na verdade isso não importava muito, o meu desejo mesmo era vê-lo, falar com ele. Mas o que vi assim que entrei não me agradou muito.
Suas roupas remetiam aos 80, calça Legging, com um camisão e tudo bem colorido; Dona Neide, ainda trazia faixas nos cabelos e tênis, o bom e velho “all star” que pareciam ter voltado para nos assustar. Acho que Dona Neide deveria ter por volta de uns 40 a 45 anos, mas se sentia uma jovem e se vestia e se portava como tal, o problema era que todos na escola riam das roupas que ela usava, parecia que ela parou no tempo.
- Dany Rocha! Estava pensando em você agora mesmo. – aquela voz vinha do balcão que ficava em frente a porta da biblioteca. Era um balcão de forma oval, alto e imponente e atrás dele estava ela, Dona Neide, a responsável em manter a biblioteca em funcionamento e os livros, cadeiras e mesas intactas de alunos desordeiros.
- Oi, Dona Neide, qual o problema?
- Qual o problema? O problema mocinha é o livro que você pegou emprestado há três semanas e não devolveu, nem renovou o empréstimo, e tenho várias reservas para este livro, você sabia?
- Quê!? É um livro de Harlan Coben, nenhum desses meninos e meninas tem interesse em romance-policial e a senhora sabe disso.
- Não importa. Você está atrasada com a entrega e...
- E eu já sei, vou ficar sem poder pegar livro emprestado por... Por quanto tempo mesmo?
- Ora, Dany você já deveria saber, é a aluna que mais leva suspensão de livro.
- Dona Neide, digamos que se eu não tomasse esses livros emprestados, e digo todos de Coben, eles jamais sairiam dessas prateleiras, então porque a senhora não me dá um desconto, por favor.
- Tudo bem, mas só desta vez. - E aproximando-se mais ainda de mim, disse baixinho – Eu já tinha mesmo renovado seu empréstimo, agora, por favor, vê se não se esquece de trazer na próxima semana e não conte a ninguém, senão isso aqui vira uma bagunça.
- Obrigado! E a propósito, seu look está show hoje. – dei uma piscadela e sai a todo vapor para as estantes da biblioteca.
Ultimamente não sei o que tem ocorrido, mas a biblioteca tem estado lotada de alunos que de repente ficaram estudiosos e intelectuais, e isso só dificultava meu trabalho em encontrar ele. Agora tinha de caminhar entre aqueles corredores, passando por várias e várias estantes de livros, muitos empoeirados, pois nunca tinham sido lidos por qualquer pessoa, para ver se o achava, mas acho que ele havia desistido da biblioteca. Depois de muito tempo andando e procurando resolvi ir embora desanimada.
- Quem você tem procurado com tanto afinco nessa biblioteca?
- Como!? Ninguém ora, afinal não se procura pessoas em bibliotecas e sim livros. Certo Dona Neide?
- Humm! Certíssima. E você achou?
- Achou? Achou o quê? A pessoa?
- Pessoa? Não, não! Afinal você disse que não procurava a pessoa. Quero saber se você achou o livro? Porque caso contrário posso ajudar a achar.
Nesse momento já não sabia se ela falava do livro ou da pessoa. Apesar das roupas, Dona Neide era muito esperta e atenta. Quando pensávamos que ela não estava prestando atenção, ela estava. Quando achávamos que ela não estava nos vendo, ela nos via. Parecia conhecer todos os alunos, seus gostos pela leitura e até sabia quando íamos para a biblioteca para nos esconder de alguma encrenca que nos metemos. Todos falavam de Dona Neide, mas todos gostavam muito dela.
“Não Conte a ninguém”, foi assim que ela me envolveu nesse mundo que me fazia viajar, me afastar um pouco do mundo de estudo e adentrar em um mundo onde a fantasia, imaginação e realidade se confundiam. O autor é surpreendente e nos deixa aprisionados neste thriller de tirar o fôlego. Não sei como, mas ela sabia que iria me apaixonar por cada detalhe desse livro, não apenas deste, mas de todos os outros do autor. Depois de Não conte a ninguém se seguiu muitos outros de Harlan Coben.
- E então? Dany você achou o que procura ou vai admitir que precisa de minha ajuda?
- Tá bom, tá bom você venceu! – Nesta altura Dona Neide já trazia em sua face um sorrisinho que dizia “Vamos lá estou esperando, pode começar”. – Tudo bem, você quer saber de tudo né?
- Sim!
- Mas não é você que sabe de tudo! Porque é que eu tenho de contar se você já sabe?
- Por quê?! Não é porque eu sei das coisas que vou sair comentando. E então vai contar ou não?
- Bom vamos lá! Deixa ver por onde começo... É foi no dia em que... Não, não! Foi naquele dia com o sol... Acho melhor começar por...
- Ah meu Deus! Por que você não diz logo que quer saber o nome dele! – Dona Neide já estava impaciente com minha indecisão de iniciar a estória. – Dany sei que você vem aqui todo o dia à procura dele, do Samuel Amorim. É isso mesmo o nome dele é Samuel.
- Mas como você sabe que eu procuro por ele? Eu nem disse nada.
- E nem precisava. Todos os dias depois daquele encontro, se é que podemos chamar aquilo de encontro...
- Definitivamente não podemos.
- Se você diz. Bom o que reparei é que depois daquele dia você não deixou de vir na biblioteca todos os dias
- Mas isso é normal não é? Quero dizer vir a biblioteca, não é normal?
- Sim é, supernormal. – Quando me dei conta Dona Neide já havia ladeado o grande balcão, se postou ao meu lado e com sua mão em meu ombro continuou – Assim como é normal, sentar, pegar um livro e ler. Observe! Veja você mesma e me diga. – Ela apontava para a biblioteca repleta de alunos, cada um entretido nas diversas prateleiras e estantes onde se dispunha os livros pelos mais variados temas: psicologia, sociologia, romance, ficção, fantasia, literaturas brasileira e estrangeira etc. Segurando em meus ombros delicadamente virou-me para a porta da biblioteca. A porta dividia-se em duas, com suas vidraças multicoloridas traziam desenhos de livros sobrepostos com capas douradas e prateadas intercaladas entre si, acima dela o nome: Biblioteca Professor Astrogildo Silva. Nunca havia prestado atenção, mas a luminosidade refletida pelos vitrais da porta para dentro da biblioteca dava ao ambiente uma bela visão de um grande livro sobre o piso, enquanto admirava aquela visão a porta se abriu.
- Agora observe o que acontece quando visitamos a biblioteca.
O aluno adentrou o recinto e foi diretamente a seção onde o livro que desejava se encontrava, entrou pelo corredor e sumiu. Olhei para Dona Neide sem compreender, ela apenas sinalizou com a cabeça para que eu me focasse no corredor que o aluno tinha entrado, de repente vejo o mesmo garoto saindo do corredor portando em suas mãos um livro, parando logo em seguida procurando alguma coisa, alguém. Não alguma coisa. Não alguém! Ele procurava um lugar.
- Viu? Você percebeu Dany? Quando vamos a biblioteca é por que queremos descobrir algo novo, algo extraordinário. E isto só descobrimos quando folheamos as páginas dos livros que estão dispostos nas prateleiras e estantes. Naquele dia você descobriu muito mais que isso, só que ainda não aceitou.
- Do que você está falando? Não descobri nada. Naquele dia eu estava com livro de matemática, nem romance era. – Uma gargalhada baixinha e cheia de sinceridade foi emitida por Dona Neide.
- Dany minha cara, então me responda por que todos os dias você entra por estas portas – apontado com seus dedos longos e unhas bem feitas – Vai sempre aquela mesa em especial, se senta e espera por horas e horas? Quem você espera que entre por aquela porta?
- Eu, eu não sei, mas...
- Você sabe! Vamos lá Dany, admita que esteja apaixonada, isso não é mau pelo contrário é bom e Samuel precisa de você.
- Mas eu nem sei se ele gosta de mim. Naquele dia, naquela mesa ele sequer falou comigo. Nem seu nome me disse.
- E isso não te impediu de vir aqui procurar ele todos os dias, impediu?
- Não! Mas como vou saber se ele sente o mesmo por mim? Como sei que não vou me arrepender?
- Isso minha querida não posso garantir, mas só há uma forma de conseguir essas respostas, vivendo cada momento, cada hora. Dany não perca mais tempo, o que esses livros tinham para lhe ensinar você já aprendeu, agora é o momento de aprender um pouco com a vida. Há tanta coisa para aprender que você nem imagina.
- Mas como posso encontrá-lo? Nem sei nada sobre ele, além do nome dele. – Neste momento Dona Neide, como se esperasse este momento por muitos dias, tira de um de seus bolsos um papel de carta e coloca em minhas mãos.
- A decisão agora é sua. Não posso fazer mais nada, além disso, estarei aqui caso precise de mim. Agora vá, preciso trabalhar. Afastou-se e sumiu entre as prateleiras da biblioteca deixando uma Dany de boca aberta olhando para um papel de carta dobrado em suas mãos.