Reconhecer
o corpo de meu filho ali naquela mesa fria foi o momento mais difícil para mim.
Sentir a sua pele fria, gélida e não sentir sua respiração arrancou parte de
meu coração. Naquele momento meu desejo era apenas que meu filho abrisse os
olhos e tudo não tivesse sido um erro. Infelizmente tudo aquilo era real.
Ali
no IML eu fiz uma promessa a meu filho Filipi. Prometi que o responsável não
sairia impune, pagaria com sua própria vida. Dente por dente e olho por olho.
Não importa quanto tempo demore Filipi teria sua vingança.
Agora
saber que tinha uma chance de pegar o assassino de meu filho, reacendeu em mim
o desejo de vingar a sua morte. E eu moveria céu e terra para isso.
-
Por favor entre Bruna, sente-se.
-
Obrigada, João!
-
Como você está?
-
Estou bem obrigada. E sua esposa e filho?
-
Vão bem obrigado. Joãozinho cada dia mais inteligente, aquele moleque.
-
Que bom! Mas o que me trouxe aqui foi o caso do meu filho. Quero saber as
novidades.
-
Mas Bruna, seu marido já esteve aqui. Tudo que tinha de novo já contei para
ele, não tem mais nada de novo.
-
Sim, mas quero saber de você. Quero ouvir da sua voz.
Pude
perceber que João não estava muito a vontade comigo ali. Mesmo ele me narrando
todas as novidades que surgiram do caso da mesma forma que Carlos havia
contado, sinto que eles escondem algum detalhe importante de mim.
-
Bom é isso Bruna. Alguma dúvida?
- Só
uma. Quem foi a pessoa que ligou denunciando? Isso nem Carlos e nem você me
disseram.
-
Não disse e nem posso dizer...
-
Como não pode dizer? Eu tenho o direito de saber João, afinal...
-
Bruna! Não posso dizer por que foram ligações anônimas. Não temos equipamentos
ou formas de identificar de onde vieram ou quem fez essas ligações.
-
Meu Deus, como isso pode ser. – Calo-me por um instante e observo João por um
minuto, não acredito que ele esteja falando a verdade. Há algo nele, na sua voz
que desperta em mim essa desconfiança. – João se você estiver mentindo para
mim, eu nem sei o que posso fazer...
-
Bruna, você tem que deixar isso com a polícia. Nós estamos investigando e vamos
solucionar isso.
- Quando?
Me diga João quando você vai prender o assassino do meu filho. Já faz três anos
e eu apenas vejo você e Carlos sentados como se isso não tivesse importância
alguma.
-
Isso não é verdade. Você sabe muito bem que fizemos tudo o possível para achar,
mas ninguém viu a placa do carro ou quem dirigia
-
Esse é o problema. Vocês já fizeram tudo, mas eu, João, eu ainda não. –
Levanto-me com muita raiva de Carlos, João e até mesmo de mim, pois durante
anos me mantive passível diante disso. Quando estou saindo da sala ouço João me
dizer:
-
Bruna, por favor, não faça nada que vá se arrepender depois.
- Eu
já fiz e já me arrependi João. E meu maior arrependimento é ter confiado a você
este caso.
-
Bruna, escute, estou fazendo o possível para...
-
Chega João! Eu mesmo vou descobrir quem é. E quando eu descobrir – calo-me e
saio da sala.
O
ódio e a raiva tomam conta de mim. E quando penso nos beijos não dados, abraços
não recebidos, e sorrisos não vistos, esses sentimentos apenas aumentam dentro
do meu coração.
Quem
tirou isso de mim não merece ser feliz. Quem arrancou de mim a felicidade
merece o mesmo que me proporcionou há três anos atrás e é isso que vou lhe dar.
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Seu
beijo me acalma. Traz a sensação de que nada de mal pode vir acontecer. Quando
estou nos braços dela as cores parecem ser mais vivas. O cheiro das flores é
mais forte. A única coisa que parece não cooperar é o tempo. Esse demonstra com
seus ponteiros que não gosta de nos ver juntos. Mas isso não importa, pois
sabemos aproveitar cada minuto quando estamos juntos.
Por
mim, passaria a manhã, a tarde e a noite ao lado de Dany. É sempre bom estarmos
ao lado daquele que amamos.
-
Samuel, hoje descobrir que meus pais vinham escondendo de mim que as
investigações sobre a morte de Filipi continuam.
-
Mas porque eles esconderiam isso de você, meu amor.
-
Não sei. Mas hoje escutei eles falando que receberam uma ligação na delegacia
informando que o assassino estava novamente na cidade.
-
Você acha que isso é verdade? Pode ser apenas um trote. Não acho que a pessoa
voltaria aqui com tão pouco tempo do acontecido.
-
Pensei nisso também. Mas minha mãe ficou tão chateada com meu pai que não acho
que seja um trote.
-
Bom se for verdade a polícia vai prendê-lo. É só questão de tempo.
-
Essa é minha dúvida. E se deixarem que ele escape novamente. Isso não pode
acontecer. Não dessa vez.
-
Mas nem você e nem seus pais podem fazer nada Dany, apenas a polícia pode agir.
-
Infelizmente.
-
Meu amor, o que tiver de ser será. Lembre-se que se não tiver justiça dos homens
terá a justiça de Deus.
-
Será? Enfim não quero mais falar sobre isso.
-
Tudo bem! Agora tenho que ir embora.
-
Certo! Amanhã nos vemos na escola então.
-
Não! Eu não vou a escola.
-
Porque não?
-
Vou me encontrar com meu pai.
-
Verdade você me falou. Samuel lembre-se de ouvir primeiro para depois tomar
qualquer atitude.
Não
digo nada, abraço Dany por um tempo e beijo-a.
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