segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO XV - Autor: Zedekiah

Reconhecer o corpo de meu filho ali naquela mesa fria foi o momento mais difícil para mim. Sentir a sua pele fria, gélida e não sentir sua respiração arrancou parte de meu coração. Naquele momento meu desejo era apenas que meu filho abrisse os olhos e tudo não tivesse sido um erro. Infelizmente tudo aquilo era real.
Ali no IML eu fiz uma promessa a meu filho Filipi. Prometi que o responsável não sairia impune, pagaria com sua própria vida. Dente por dente e olho por olho. Não importa quanto tempo demore Filipi teria sua vingança.
Agora saber que tinha uma chance de pegar o assassino de meu filho, reacendeu em mim o desejo de vingar a sua morte. E eu moveria céu e terra para isso.
- Por favor entre Bruna, sente-se.
- Obrigada, João!
- Como você está?
- Estou bem obrigada. E sua esposa e filho?
- Vão bem obrigado. Joãozinho cada dia mais inteligente, aquele moleque.
- Que bom! Mas o que me trouxe aqui foi o caso do meu filho. Quero saber as novidades.
- Mas Bruna, seu marido já esteve aqui. Tudo que tinha de novo já contei para ele, não tem mais nada de novo.
- Sim, mas quero saber de você. Quero ouvir da sua voz.
Pude perceber que João não estava muito a vontade comigo ali. Mesmo ele me narrando todas as novidades que surgiram do caso da mesma forma que Carlos havia contado, sinto que eles escondem algum detalhe importante de mim.
- Bom é isso Bruna. Alguma dúvida?
- Só uma. Quem foi a pessoa que ligou denunciando? Isso nem Carlos e nem você me disseram.
- Não disse e nem posso dizer...
- Como não pode dizer? Eu tenho o direito de saber João, afinal...
- Bruna! Não posso dizer por que foram ligações anônimas. Não temos equipamentos ou formas de identificar de onde vieram ou quem fez essas ligações.
- Meu Deus, como isso pode ser. – Calo-me por um instante e observo João por um minuto, não acredito que ele esteja falando a verdade. Há algo nele, na sua voz que desperta em mim essa desconfiança. – João se você estiver mentindo para mim, eu nem sei o que posso fazer...
- Bruna, você tem que deixar isso com a polícia. Nós estamos investigando e vamos solucionar isso.
- Quando? Me diga João quando você vai prender o assassino do meu filho. Já faz três anos e eu apenas vejo você e Carlos sentados como se isso não tivesse importância alguma.
- Isso não é verdade. Você sabe muito bem que fizemos tudo o possível para achar, mas ninguém viu a placa do carro ou quem dirigia
- Esse é o problema. Vocês já fizeram tudo, mas eu, João, eu ainda não. – Levanto-me com muita raiva de Carlos, João e até mesmo de mim, pois durante anos me mantive passível diante disso. Quando estou saindo da sala ouço João me dizer:
- Bruna, por favor, não faça nada que vá se arrepender depois.
- Eu já fiz e já me arrependi João. E meu maior arrependimento é ter confiado a você este caso.
- Bruna, escute, estou fazendo o possível para...
- Chega João! Eu mesmo vou descobrir quem é. E quando eu descobrir – calo-me e saio da sala.
O ódio e a raiva tomam conta de mim. E quando penso nos beijos não dados, abraços não recebidos, e sorrisos não vistos, esses sentimentos apenas aumentam dentro do meu coração.
Quem tirou isso de mim não merece ser feliz. Quem arrancou de mim a felicidade merece o mesmo que me proporcionou há três anos atrás e é isso que vou lhe dar.

----/----

Seu beijo me acalma. Traz a sensação de que nada de mal pode vir acontecer. Quando estou nos braços dela as cores parecem ser mais vivas. O cheiro das flores é mais forte. A única coisa que parece não cooperar é o tempo. Esse demonstra com seus ponteiros que não gosta de nos ver juntos. Mas isso não importa, pois sabemos aproveitar cada minuto quando estamos juntos.
Por mim, passaria a manhã, a tarde e a noite ao lado de Dany. É sempre bom estarmos ao lado daquele que amamos.
- Samuel, hoje descobrir que meus pais vinham escondendo de mim que as investigações sobre a morte de Filipi continuam.
- Mas porque eles esconderiam isso de você, meu amor.
- Não sei. Mas hoje escutei eles falando que receberam uma ligação na delegacia informando que o assassino estava novamente na cidade.
- Você acha que isso é verdade? Pode ser apenas um trote. Não acho que a pessoa voltaria aqui com tão pouco tempo do acontecido.
- Pensei nisso também. Mas minha mãe ficou tão chateada com meu pai que não acho que seja um trote.
- Bom se for verdade a polícia vai prendê-lo. É só questão de tempo.
- Essa é minha dúvida. E se deixarem que ele escape novamente. Isso não pode acontecer. Não dessa vez.
- Mas nem você e nem seus pais podem fazer nada Dany, apenas a polícia pode agir.
- Infelizmente.
- Meu amor, o que tiver de ser será. Lembre-se que se não tiver justiça dos homens terá a justiça de Deus.
- Será? Enfim não quero mais falar sobre isso.
- Tudo bem! Agora tenho que ir embora.
- Certo! Amanhã nos vemos na escola então.
- Não! Eu não vou a escola.
- Porque não?
- Vou me encontrar com meu pai.
- Verdade você me falou. Samuel lembre-se de ouvir primeiro para depois tomar qualquer atitude.

Não digo nada, abraço Dany por um tempo e beijo-a. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário