Capítulo
I
Era
1995, a primeira vez que eu o vi e me apaixonei. É isso mesmo a primeira vista.
Ele não era... não é nem um galã de novela, deus grego ou sei lá o que, mas ele
é o meu príncipe. Aquele que qualquer garota sonha um dia ver e ter. Porém a
minha história, a nossa história não é tão feliz.
Eu
me apaixonei, amei com todas as minhas forças e todo o meu coração e no final o
destino decidiu por nós. Porque é tão complicado amar e ser amado. Porque tornamos
as coisas simples em coisas complicadas e as possíveis em impossíveis.
Não
foi culpa minha, também não foi culpa dele. Nós queríamos muito viver esse
amor, mas no fim não foi como ansiávamos e tudo foi diferente. Se sou feliz? Sim!
Muito feliz. Afinal estou rodeada de pessoas que amo, que querem meu bem e que
desejam minha felicidade. A felicidade não cai em nossas vidas por acaso,
precisamos lutar e correr atrás dela e quem disse que é fácil ser feliz, não
sabe o real significado da felicidade. Eu e meus devaneios! Vou tentar
concentrar-me na história, na nossa história.
O
ano 1995, Colégio e Curso Ana Teresa Cristina, eu tinha 18 anos e já sabia o
que queria para mim. Estava focada nos meus estudos e acreditava que nada nem
ninguém iriam tirar meu foco, mas eu me enganei.
Aula
de matemática. O professor, Juan, pediu que resolvêssemos alguns exercícios, em
dupla, que ele já nos tinha explicado na aula anterior.
-
Será que posso fazer dupla com você?
Estava
tão concentrada nos exercícios que não ouvi que Evellyn falava comigo.
-
Dany! Dany! – e com um supetão em meu braço ela atraiu minha atenção para si.
-
Ah! Que, que foi Evellyn? – disse olhando para ela já estressada por ter
perdido a concentração no exercício. Evellyn era minha amiga desde o 1º ano,
era uma garota de 17 anos que não tinha decidido ainda o que iria fazer quando concluísse
o 3º ano.
-
Que, que foi? Tô aqui te chamando a meia hora e você não tira o olho desse
caderno. – disse fingindo estar ofendida por eu a trocar pelo caderno. – Quero fazer
dupla com você, posso?
-
Dupla!? Dupla de quê? Pra quê, Evellyn?
-
Você não ouviu, o professor disse que era pra ser em dupla o exercício. Dany
acho que você não está bem. O professor repetiu isso umas quinhentas vezes. – e
ela imitou o professor – É para ser resolvido em dupla! É para ser resolvido em
dupla. – ela parou e ficou me encarando, enquanto olhava para ela, daí não aguentei
seu rosto de cachorro pidão, sorri e disse tudo bem, vamos fazer em dupla. Se bem
que no final das contas eu fazia o trabalho sozinho, pois Evellyn não sabia e
nem procurava aprender nada de matemática.
-
Finalmente essa aula chata acabou. Dany e aí o que vamos fazer hoje depois da
aula?
-
Você não sei, eu vou para a biblioteca preciso muito estudar e você sabe disso.
-
Dany, você só pensa em estudar. Desde que te conheci que você mal vai a um
aniversário, nas festas da escola você nem aparece. Sem falar nos carinhas que
dão mole pra você e você fingi que eles nem existem. O que há com você! – Nesse
momento meus pensamentos me levaram a tempos distantes.
Seus
cabelos eram negros como uma noite sem luar. Seus olhos negros, brilhantes e
cheios de vida. O meu irmão era 3 anos mais novo que eu, meu companheiro, amigo
de aventuras e nós passávamos horas e horas conversando sobre um assunto
importante ou nem tão importante assim. Mas um belo dia, em que o sol brilhava
como uma estrela que era algo horrível aconteceu e esse dia jamais vou esquecer.
Naquele
dia as ruas que percorríamos em caminho da escola estavam, apesar do brilho do
sol, frias e caladas era o prenuncio de que algo inesperado aconteceria, mas nós
nunca atentamos para os avisos. Caminhávamos e riamos, Filipi era ótimo em me
fazer sorrir, em deixar meus estudos e sair para me divertir. Evellyn tinha razão,
perdi todo o motivo de sorrir ou de diversão, não tinha sentido pra mim festas,
namoros então nem pensar, com quem compartilhar isso, meu amigo, meu irmão não
estava lá.
Já
avistávamos a escola, quando Filipi notou que seu tênis estava desamarrado e se
agachou para amarrá-los. Foi neste momento, tão rápido, tão depressa que não
tivemos tempo para reagir. Quando abri meus olhos estava imobilizada, meus pés
e braços estavam amarrados para que não me mexesse e ao meu redor muitas
pessoas, alunos ao redor. Vi lágrimas nos rostos. Vozes de desespero. Tentei organizar
meus pensamentos, ordenar minhas ideias e então...
-
Onde está Filipi? – a pergunta não foi direcionada a ninguém – Onde está meu
irmão? O que está acontecendo? – olhei para os lados a procura de Filipi, mas
meus olhos não o alcançavam, meu coração começou a dizer que algo tinha
acontecido. Debati meu corpo naquela maca, ouvi uma voz:
-
Calma! Você precisa se acalmar! – era um socorrista – Você e o outro garoto
foram alvo de um acidente. Acredito agora que ele era seu irmão, Filipi o nome
dele certo? – eu assenti, mas percebi em seu olhar que algo não estava bem com
meu irmão, tinha acontecido algo, tinha algo errado.
-
Onde está meu irmão? – perguntei tentando controlar as lágrimas que insistia em
rolar e meu coração já tinha certeza do que aconteceu.
-
Dannnnnnnnnny! Você tá me ouvindo? – fui trazida de volta a realidade pela voz
de Evellyn me chamando.
-
Ah! Oi, que foi! Eu tô bem, preciso ir. – não queria que Evellyn me visse
chorar. Não queria que ninguém me visse chorar.
-
Dany, que foi? Você precisa de ajuda? – mas eu já estava descendo as escadas do
Colégio e indo em direção a biblioteca, lá ninguém poderia me perturbar, ninguém
poderia me ver.
A
biblioteca era grande com vários livros e mesas redondas com seis cadeiras. Eu espalhava
os livros mesmo aqueles que não estavam sendo usados, apenas para ocupar a mesa
e afastar as pessoas. Naquele dia a biblioteca estava cheia, parecia até que
todos os alunos resolveram estudar. Foi nesse dia que eu o conheci. Foi nesse
dia que eu o vi. Ele estava lá sozinho, esquecido parecia até abandonado em uma
mesa sozinho, e eu não tinha escolha eu pedia licença e sentava-se à mesa com
ele, ou iria para casa.
Escolhi
a primeira opção.