segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO FINAL - Autor Zedekiah

Estou no lago.
Pedrinho está comigo e desta vez não tenho o pesadelo. Pedrinho segura minha mão. Ele parece sentir que eu sinto um aperto no coração.
- Tudo vai ficar bem manão. – É assim que Pedrinho me chama: Manão. Olho para ele e o vejo sorrir para mim. – Eu estou aqui com você manão.
- Eu sei. Eu sei Pedrinho. – Abaixo e fico da sua altura. Olho em seus olhos e vejo nele o olhar de meu pai. Não seguro as lágrimas e o abraço.
Sinto a brisa soprar suave sobre minha face. Vejo os patos nadarem sobre o espelho de água do lago. Ouço os pássaros cantarem e os observo voarem livre de um galho para outro, de repente um pássaro voa para um determinado banco e quando o vejo as lembranças dela vem a minha mente. Dany.
Nós costumávamos sentar ali, para observar os pássaros, os patos e o lago. Sentir a brisa soprar em nós. Meu coração não aceita que ela tenha ido sem despedir-se. Sem dizer adeus. A culpa disso tudo não foi dela. Não foi minha. Não foi nossa. Simplesmente aconteceu.
Eu queria poder sentir seu cheiro, seu abraço e o seu beijo apenas uma vez mais. Queria poder dizer que eu a amo e que faria o que preciso fosse para que tudo fosse diferente.
Será que terei felicidade, pois todas as razões para a minha felicidade foram arrancadas de mim: Papai e Dany.
Felicidade será que eu ainda te encontrarei. Enquanto isso vou vivendo com minha dor e esperando um destino desconhecido.

                                                                 








FIM

A FELICIDADE - CAPÍTULO XX - Autor: Zedekiah

Com esforço abro meus olhos. Estou deitado em uma cama no hospital da cidade. Minha mãe beija minha testa. E em poucos minutos ao lado da minha cama está ele meu amigo Erik.
- Que susto danado você nos deu cara.
- Verdade? – Sorrio para Erik.
Olho para minha mãe vejo que ela está feliz, mas parece que algo ainda a perturba. Procuro no quarto, mas não encontro. Não o vejo em lugar nenhum daquele minúsculo quarto.
- Onde está meu pai? – Olho para minha mãe, depois para Erik. Minha mãe se afasta e começa a chorar. Erik segura minha mão. Sei que a notícia não será boa.
- Sinto muito amigão.
- Não! Como pode ter sido isso. Eu não posso perder ele. Não agora que ele voltou para mim. Ele está preso né isso. Diz cara. Fala pra mim Erik que ele está preso.
- Sinto muito, Samuel. Ele se jogou na sua frente. Levou o tiro por você.
Meu coração já sabia disso. Meu pai deu a sua vida para salvar a minha. E eu não tive a oportunidade de conhecer o home que ele era. O homem que ele havia se tornado. Que legado ele deixou para mim. Enquanto as lágrimas rolavam pela minha face a porta do quarto abre e correndo entra um menino de quase dois anos, chega perto da minha cama, olha para mim e sorri.
- É seu irmãozinho cara. Pedrinho.

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Finalmente minha vida está tentando entrar na rotina. Agora tenho a companhia de minha mãe que voltou a ser aquela mulher destemida e lutadora que foi um dia. É ela que me faz prosseguir. E Pedrinho se tornou meu elo com meu pai. Meu xodó. Aprendi a amá-lo mais que tudo.
Porém nada disso é o suficiente para preencher um vazio que ficou. Um vazio que só poderia ser preenchido por Dany. Mas ela não está mais lá. Foi embora. Não me disse adeus. Não me deu o último beijo e nem o último abraço. Simplesmente partiu. Minha felicidade está incompleta. Espero que ela sinta minha falta também. Espero que um dia essa dor passe. Esse vazio seja preenchido e que nossos corações se perdoem.

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Não disse adeus.
Não dei-lhe o beijo de despedida.
Nem o abraço apertado de quem nunca mais irá se reencontrar.
Deixá-lo ali daquele jeito não foi fácil, mas infelizmente naquele dia meu coração foi atingido mais uma vez. E desta vez por uma bala. Minha mãe se matou. Não suportava mais viver sem Filipi e deixou-me só e desamparada. Não sei se Samuel seria capaz de perdoar a filha da assassina de seu pai e eu talvez não fosse capaz de perdoar o filho do assassino de meu irmão. O melhor por enquanto é nos afastarmos. Quem sabe um dia a felicidade chegue para nós.
Enquanto o carro prossegue seu caminho com meu pai sendo o condutor, meus pensamentos e meu coração não conseguem desligar-se de Samuel. Afastar-me dele é tão difícil e apesar de dizer constantemente a minha razão que isso é para o meu bem e o dele, meu coração não aceita. Sinto como se uma mão o envolvesse e o apertasse sem dó ou piedade.
O destino foi tão trágico. Nossas histórias se cruzaram em um tempo dor e nos separou da mesma forma. Quero guardar em meu coração as lembranças de nossos momentos juntos.
Lembrança de quando ele foi meu salvador ou dele sentado na mesa da biblioteca fingindo que leia enquanto olhava para mim com admiração. Eu ainda o amo e não sei o que farei para que esse amor acabe.
Sinto tanto a falta da minha mãe. Alguém para conversar, compartilhar minha dor, meu sentimentos. Dizer o que estou sentido e porque estou sentido, ouvir sua voz. Sentir seu abraço. Isso também não é mais possível. Será que ainda serei feliz.
Será que terei felicidade, pois todas as razões para a minha felicidade foram arrancadas de mim: Filipi, Mamãe e Samuel.
Felicidade será que eu ainda te encontrarei.

O carro segue seu caminho e deixo para traz a minha felicidade em direção a um destino desconhecido. 

A FELICIDADE - CAPÍTULO XIX - Autor Zedekiah

- Samuel, como eu disse não posso. Prometi ao delegado que hoje mesmo, após conversar com você me entregaria.
- Porque você faria isso? Dany nunca mais vai querer olhar para mim. Para o filho do assassino de seu irmão. Como você pode fazer isso.
- Foi um acidente. Eu estava bêbado naquela manhã. Perdi o controle do carro. Quando vi ele estava lá bem na minha frente não tive como desviar-me dele. Fugi, tive medo da reação das pessoas naquele momento.
- E agora pai. – Era a primeira vez que o chamava assim, sem raiva, sem ódio. Apenas um sentimento de compaixão. – O que vai ser de você? O que vai ser de nós?
- Eu não sei. Agora tudo está nas mãos da lei meu filho. A justiça será feita e eu finalmente terei paz em meu coração.
- ASSASSINO! – escuto apenas os gritos desesperado das pessoas ao ouvirem a voz alterada da mulher com uma arma na mão apontado em nossa direção. Na verdade a arma estava apontada em minha direção, mas ela direcionava seu olhar de ódio e vingança para meu pai. – Você tirou meu filho de mim, agora eu vou tirar o seu. Assim você vai sentir tudo o que eu senti.
- Minha senhora – Neste momento meu pai e eu já estávamos em pé. Eu não sabia se olhava para meu pai ou para dona Bruna. – Tenha calma. Não faça nada que possa se arrepender.
- Você se arrependeu pelo que fez?
- Foi apenas um acidente dona Bruna. Ele até confessou. Vai se entregar.
- Cale a boca garoto. Você não sabe nada sobre a vida. Seu pai é um assassino. Me fez sofrer e eu vou fazê-lo sofrer tirando aquilo que ele descobriu amar. Você.
Todos que ocupavam a lanchonete neste momento já estão do lado de fora. Protegidos por carros, mas ainda assim não foram embora. Ficaram para assistir o desenrolar daquela história. Agora que tenho meu pai estou prestes a perdê-lo. Seja por um tiro ou pela prisão. De qualquer forma a segunda opção é a mais viável. A mãe de Dany parece ser outra pessoa. Ela está decidida a tirar minha vida. Meu pai dá alguns passos para meu lado tentando se posicionar em minha frente.
Olho nos seus olhos, sinto agora todo o amor que ele sente por mim. Vejo o desejo dele em compartilhar comigo as suas conquistas, suas realizações. Sinto que ele desejaria contar-me o homem que se tornou. O pai protetor e amável que todos devem ser. Agora sei que eu também o amo.
- Mãe, por favor abaixe essa arma. Vamos conversar. – Ela está aqui. Isso significa que ela já sabe de toda a verdade. O que será que ela pensa, como ela irá reagir quando toda essa tempestade passar?
- Dany, o que você faz aqui. Vá embora. Não temos nada para conversar aqui. O Assassino de seu irmão tem de pagar.
- Mãe a polícia está a caminho para prendê-lo. Cabe a eles isso.
- Não! Eles tiveram a oportunidade de prendê-lo e não fizeram. Deixaram-no solto, agora eu vou fazer justiça.
- Matando meu amigo? Isso é justiça para você? – Erik, meu grande amigo estava aqui. Como sempre me prometeu na alegria, na tristeza em todos os momentos.
- Sim. Olho por olho, dente por dente! Ele tirou meu filho e agora vou tirar o dele.
De repente ouço as sirenes do carro da polícia, a movimentação do lado de fora e o estampido de uma arma sendo disparada. Não uma, mas duas vezes. Sou arremessado para traz.
Gritos.
Correria.
Choro.
Uma luz clara e brilhante.
De repente meus olhos fecham.

Apenas a escuridão.

A FELICIDADE - CAPÍTULO XVIII - Autor: Zedekiah

Desço as escadas com rapidez, pois a pessoa que está na porta parece ter pressa em ser atendida. A campainha toca mais uma vez, e outra vez e mais uma. Eu grito estou indo, tenha calma, mas parece que minha voz não alcança o ouvido deste ou desta agoniada pessoa.
Meus pensamentos são os piores possíveis: aconteceu alguma coisa com minha mãe ou com meu pai. Tento acalmar-me antes de abrir a porta. Quando abro para minha surpresa lá está ele. A pessoa que jamais pensei ver novamente em minha casa. Pena que ele escolheu o pior momento para nos rever.
- Erik! É você mesmo? – dou-lhe um abraço apertado. Percebo que ele fica sem jeito e me retribui com um abraço tímido. – O que você faz aqui?
- Eu preciso falar com você Dany...
- Mas, Erik tem de ser agora, digo, tem de ser hoje? Não que eu não esteja feliz em rever você, de jeito nenhum, é que minha mãe teve um surto e meu pai está procurando por ela. E aconteceu tanta coisa que...
- Dany, é sobre sua mãe. – Sinto dor e medo em sua voz. – E também sobre seu irmão Filipi.
- Como?
- Posso entrar? Por favor, é urgente, se nós não agirmos rápido algo muito ruim vai acontecer.
- Vamos entre. Mas antes me diga. Você conhece Samuel?
- Sim, eu o conheço. Sou o único amigo dele. E sim eu fiz de tudo para não ver você, pois não queria relembrar de seu irmão. Me desculpe.
- Tudo bem. Mas vamos me conte o que houve com minha mãe?
- Você já deve saber que ela descobriu que ele, o assassino de seu irmão está na cidade.
- Sim ela descobriu, surtou e desapareceu. Ninguém sabe para onde ela foi e meu pai saiu para procura-la.
- Dany, eu vi sua mãe. Várias pessoas da cidade a viu e a ouviu.
- Onde ela está, preciso avisar ao meu pai para que ele a pegue e traga ela para casa.
- Eu não sei mais onde ela está. Mas o que ela gritou pna praça em frente a delegacia abalou a toda a cidade.
- Como assim Erik, o que foi que ela falou?
- Dany – Vejo nos olhos de Erik uma tristeza tão grande que meu coração congela e meu peito aperta em uma dor tão grande. – Sua mãe gritava o nome do assassino, e dizia que se a policia não fez justiça ela iria fazer.
- Meu Deus! E qual nome ela gritava, Erik?
- Você ainda não sabe? Seus pais não te contaram?
- Não. Meu pai não teve tempo e minha mãe saiu feito louca.
- Eu não sei como te dizer isso. Nem sei se posso, talvez não seja verdade. Seja coisa da cabeça dela...
- Erik, qual o nome?

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- O que você está me dizendo? - Não consigo compreender ou meus pensamentos não querem e não desejam de forma alguma aceitar essa afirmação. – Você tem ideia do que você esta falando.
- Sim, é a mais pura verdade. Eu sinto muito meu filho. Foi por este motivo que deixei sua mãe daquele jeito. Que te abandonei.
- Nossa! – a raiva apenas aumentando. Minhas mãos suavam, meu corpo estremecia – E mais uma vez você consegue desfazer toda a felicidade que eu tinha. Que eu demorei tanto para reconstruir.
- Eu não queria te fazer sofrer, mas entenda que eu não poderia mais viver com essa culpa.
- Mas você vai conseguir viver com a sensação e a certeza de que acabou comigo?
- Samuel quem sabe assim nós tenhamos uma nova chance. Uma oportunidade de nos aproximarmos e vivermos como pai e filho.
Não entendo nenhuma de suas palavras, meu pensamento está nela. Está com ela. Na frente da Biblioteca, no momento em que a segurei em meus braços. No momento do seu primeiro sorriso para mim. Nosso primeiro beijo. Seus dedos entre os meus. Seu olhar antes de fechar a porta para que eu fosse embora. Eu a amo e tudo ali estava se desfazendo.
- Por quê? Por que você voltou? – não contenho as lágrimas. Agora elas rolam. Tenho vontade de gritar e correr dali. Ir para longe o bastante de tudo e de todos.
- Me perdoe. Minha intenção não é fazer você sofrer.
- Ela era minha, é minha namorada. O senhor entende o problema? Por que você fez isso?
- Samuel, se eu vivesse com isso eu jamais teria paz. Eu voltei pra pedir o seu perdão. Uma segunda chance para provar para você que eu mudei. Quero ser seu pai. – Apesar da dor que me invade sei agora que o que ele fala é verdadeiro e sincero
- Prometa-me que você vai embora. Que não vai contar essa história para ninguém dessa cidade. Me prometa.
- Não posso
- Como não pode. Olha eu te perdoo. Te aceito como pai, mas você tem de ir embora.

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- Você não pode estar falando sério Erik. Isso é loucura!
- Dany, nós temos de encontrar sua mãe, ou ela vai fazer algo terrível
- Você não está entendendo Erik, isso é maluquice. Samuel teria me contado se isso fosse verdade.
- Ele não sabia. Ele nunca soube por que o pai o deixou.
- Eu preciso ir vê-lo. Conversar com ele.
- Acho que não vai dar
- Por que não?
Passei na casa dele antes de vir aqui ele não estava lá. Daí lembrei que ele iria hoje encontrar o pai.
- É verdade. Levei-o lá.
- Então nós precisamos ir lá Dany, ou algo...

- Não! Nada vai acontecer. Vamos eu sei onde ele está.

A FELICIDADE - CAPÍTULO XVII - Autor: Zedekiah

Quando chego em casa, ouço meus pais discutindo novamente. Dessa vez as vozes estavam muito alteradas. Tinha raiva, ódio na voz de minha mãe. Ela parecia não estar conformada com algo que meu pai escondeu dela, ou pelo menos tentou esconder.
- Bruna, meu amor entenda. Eu fiz isso pra te proteger.
- Me proteger? Não Carlos, você não mentiu pra me proteger. Você mentiu para proteger o assassino do meu filho.
- Ele também era meu filho! – Pela primeira vez desde a morte de Filipi que ouço meu pai alterar a voz daquele jeito para minha mãe. Mas isso não a intimidou, pelo contrário a deixou com mais raiva ainda.
- Seu filho e mesmo assim você permitiu que o assassino fugisse.
- Ele não fugiu. Ele prometeu que voltaria para se entregar e pagar pelo erro que cometeu. Foi um acidente Bruna.
- Acidente! – Ouço o riso de ironia de minha mãe. – Como você é tolo Carlos. Você e João acreditam mesmo que ele vai voltar para se entregar?
- Por que não? Ele não veio e confessou ser o culpado pelo acidente.
- Isso não foi um acidente! Minha mãe grita e com isso me assusto e esbarro em um vaso que caí e chamo a atenção de meus pais.
- Dany, minha filha – Meu pai vai em minha direção. – Há quanto tempo você está aí? – Me leva para perto de minha mãe que me abraça.
- Estou a tempo suficiente pra saber que vocês sabem quem foi o homem eu matou meu irmão.
- Sim querida, sabemos, mas seu pai e o delegado resolveram deixar ele escapar por entre seus dedos.
- Como assim? Ele não está preso, papai?
- Não, Dany, ele não está preso ainda.
- E nunca vai estar graças ao seu pai. Ele acha que ele irá se entregar.
- Bruna pare! Dany eu vou lhe contar tudo o que aconteceu.
- Diga-lhe o nome do assassino Carlos. Diga a ela o tipo de pessoa que ele é. Que a família dele é.
- Pai do que a mamãe está falando?
- Venha sente-se. Acho que chegou a hora de você saber a verdade.
A cada palavra mencionada por meu pai era como se espinhos estivessem penetrando minha carne. A raiva aumentando cada vez mais. Não era raiva de meu pai, ou de João, de minha mãe. Não era raiva de ninguém. A raiva era de mim, por ter sido tão fraca. Incapaz de ver, de enxergar e agora tudo teria de ser diferente. Não sei dizer se no meu coração existe espaço para perdão. Meus olhos estão secos. Não consigo mais chorar ou mesmo me lamentar. Meu pai me olha. Toca meu cabelos, alisa minha face e abraça-me.
- Vai ficar tudo bem minha filha. Eu prometo. Essa história vai acabar e nós vamos apenas nos lembrar do Filipi alegre e sorridente, você vai ver.
- Eu sei pai. Acho que vou para o meu quarto. Tô precisando descansar.
Minha mãe não está mais na sala. Aproveitou a oportunidade e saiu. Não sabemos para onde ela possa ter ido, mas ficamos preocupados. Ela estava transtornada. Seus olhos eram chamas ardentes de ódio. E seu combustível era vingança. Ela seria capaz de tudo para ver o assassino de Filipi pagar por seu crime.
- Eu vou procurar sua mãe.
- Vou também.
- Não! É melhor que você fique em casa para o caso de ela voltar. Se ela voltar me liga, está bem?
- Você tem razão.
- Dany, filha, você vai ficar bem?
- Vou sim. Pode ir pai. Eu ligo caso ela volte.
Para dizer a verdade, não sei se gostaria que ele a encontrasse. Estou dividida entre a vingança de minha mãe e o perdão de meu pai. Minha mente pede pela vingança de minha mãe, mas meu coração pensa nele e talvez por ele eu libere o perdão. Perdão para mim, para que finalmente eu encontre a minha felicidade.

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- Meu filho!
Sou arrancado das águas e de frente para o homem que diz ser o meu pai. O pesadelo agora é real. Não tem como acordar. Não sei como cheguei naquela mesa nem como sentei-me ali.
- Filho você está bem?
- Não me chame de filho. – Meus olhos ardiam. Minha voz estava distorcida, as palavras amargavam em minha boca. Meu olhar para ele era desprezo.
- Tudo bem, me desculpe. Eu sei como você se sente...
- Não você nem imagina como me sinto ou como me senti. Você nunca vai sentir isso. Você teve um pai. Teve uma mãe. Você teve uma família, mas achou por bem arrancar isso de mim. E agora vem me dizer que sabe como me sinto. Você não faz ideia.
- Certo, Samuel você tem razão. – Vejo que o deixei desconcertado – Eu realmente não sei como você se senti ou se sentiu durante todos esses anos. Eu não vim aqui para recuperar esses anos perdidos
- Então porque veio? Para me abandonar de novo?
- Não! Vim para te pedir perdão. Para recomeçar, escrevermos uma nova história para nós dois meu filho.
- Porque? Porque você nunca me amou?
- Samuel, quando você nasceu eu era imaturo. Não tinha pensado no meu futuro e quando sua mãe me disse que esperava um filho eu pirei. Não tinha emprego, passava as noites em claro, bebendo e me divertindo com os amigos. Achei que você só iria atrapalhar.
- Você destruiu a vida da minha mãe. Esses 03 anos que você passou longe ela te esperou sabia? Achando que você viria busca-la para viver com você. Mas ela se enganou.
- Quando sua mãe descobriu de sua gravidez ela fez de tudo para que nós nos casássemos, mas eu recusei e aceitei de apenas morar com ela. Quando você nasceu sua mãe se afastou de mim. Preocupava-se com você de dia e de noite. Nada para ela é mais importante do que você.
- E por causa disso você nos abandonou?
- Claro que não. Depois que você nasceu. Sua mãe e eu brigávamos todas as noites. Daí eu saia e só voltava para casa nas primeiras horas do dia.
- Por isso ela achava que eu era o culpado do seu abandono. E me culpava por tudo que acontecesse.
- Eu sinto muito, Samuel. E nós vivemos assim por anos. Certo dia sua mãe e eu tivemos uma discussão enorme. – Percebo que sua voz é de pesar, transmite dor e angústia quando pensa em seu passado – Sai de casa e passei a noite com os amigos.
- Você sempre fazia isso. Fugia dos problemas, fugia dela e de mim. Porque você nunca esteve presente na minha vida? Porque se afastou?
- Eu era imaturo Samuel. Não queria compromisso com ninguém, muito menos com um filho. Quando recebi a notícia de que sua mãe estava grávida pensei logo que era o golpe da barriga.
- Sério? Você achou mesmo que ela iria fazer isso?
- Sua mãe era apaixonada por mim. Tinha medo que eu a deixasse. Sim eu acreditei mesmo que esse fosse o plano dela. Assim me fechei. Só fui morar com ela porque meu pai me obrigou, mas não éramos mais um casal.
- Você então resolveu fazê-la sofrer, com o intuito de que ela te deixasse livre. Como você pode?
- Eu sei que errei muito, mas quero que você entenda que hoje eu sou diferente, que mudei, que sou outro homem. E se voltei foi para redimir meus erros e pagar por eles.


A FELICIDADE - CAPÍTULO XVI - Autor: Zedekiah

O dia amanheceu. Os primeiros raios do sol adentraram meu quarto pela janela acertando em cheio meu rosto. Pareciam saber que eu não estava pronto para ele, mas teimosamente aquele dia queria que eu o vivesse, que sentisse toda a sua presença naquele instante.
- Samuel!
Era a voz de minha mãe a porta do quarto. Ela estava ansiosa. Sabia que aquele seria um grande dia. Uma grande mudança para minha vida e para sua. Ela até poderia estar pronta, mas eu tinha certeza de que eu não estava.
Quando penso em meu pai, não tenho boas lembranças. Nada que me faça pensar nele com carinho ou alegria. O que existe é apenas o vazio, a tristeza e a dor. Não sei se tomei a decisão certa de encontrar-me com ele.
- Filho, assim você vai se atrasar.
- Mãe, ele se atrasou muitos anos. – Levanto-me e vou abrir a porta. – Acho que ele não vai morrer se esperar por mim apenas umas horas.
- Eu sei, eu sei meu filho. Mas você tem de mostrar que é diferente dele
- E eu sou. Eu jamais deixaria de amar meu filho, muito menos o abandonaria.
- Samuel, por favor, apenas o escute está bem.
- Certo! Mas fique a senhora sabendo que só estou indo a este encontro por causa da senhora.
- Meu filho! Ele ainda é seu pai. Mesmo que ele não estivesse presente nas horas que você mais precisou.
- É mãe, justamente por isso, porque quando mais precisei ele não estava lá.
- Ele teve um motivo. – Minha mãe vai saindo do quarto para que eu possa me arrumar.
- Que motivo foi esse? Me conta.
- Não posso, somente ele poderá dizer. E somente você vai poder dizer se este motivo é válido para que você o perdoe.

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- Querida já está tudo resolvido.
- Então estou chegando aí ainda está noite.
- Não precisa. Já estou aqui esperando ele. Esperando meu filho.
- Você vai contar tudo a ele? Tem certeza disso Samuel?
- É a única forma que vejo para que ele me perdoe.  E talvez a única oportunidade que eu tenha antes de
- Eu sei. E é por isso que quero estar ao seu lado.
- Me perdoe meu amor. Eu não queria que fosse assim.
- Samuel sei que vai ser difícil, mas depois da tempestade virá a bonança e eu vou estar com você sempre.
- Não sei o que faria sem você, Patrícia, meu amor.
- Hoje a noite estarei aí com você. Eu te amo.
- Eu também te amo.

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- Sua mulher esteve aqui esses dias Carlos.
- Você não disse nada a ela. João ela não pode saber que nós sabemos quem é o responsável
- Você acha que eu não sei disso! O problema é que a qualquer momento ela pode descobrir meu amigo.
- Nem diga isso. Se Bruna descobrir quem é, eu nem sei o que ela pode fazer.
- Eu achei que essa raiva já tivesse passado.
- Eu também. Mas me enganei. Durante todos esses anos ela apenas alimentou em silêncio a raiva, tornando-a ódio. E esse é um ódio mortal. Bruna será capaz de tudo para coloca-lo atrás das grades.
- E quando você pretende contar a verdade a ela?
- A pergunta é: Você acha que ele realmente irá cumprir com aquilo que disse? Será que você não foi bonzinho demais João?
- O que você queria que eu fizesse? E eu o conheço de tempos, ele precisava de um tempo.
- Você sabe que isso não pode vazar até tudo estar resolvido. Principalmente Bruna e Dany não podem sonhar que nós sabíamos quem era e que foi ele que se entregou.
- Eu sei Carlos. Eu sei.

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Chegamos ao local determinado: minha mãe, Dany e eu. Elas resolveram me acompanhar até lá, mesmo contra minha vontade. Pelo menos consegui convencê-las a não ficarem por perto bisbilhotando. Me despedi de cada uma dando um beijo e um abraço e entrei.
Estive várias vezes naquela lanchonete, sempre gostei de lá. O ambiente aconchegante, os garçons receptivos, e o cheiro da comida eram de dar água na boca. Mas hoje, parecia que eu havia perdido todos os sentidos e que aquela não era a lanchonete que eu sempre fui. Parecia ser a primeira vez que entrava ali.
Fiquei parado por alguns instantes, observando, eu não o reconhecia mais, minha mãe disse que ele estava diferente, fiquei ali parado olhando esperando. De repente ele fica em pé. Acena. Sorri para mim. E eu ali. Parado. Imóvel. Meus lábios não se contraem em um sorriso e meu desejo e dar a volta e correr. Mas antes que eu possa fazer isso sou envolvido por um abraço e conduzido.
Novamente estou a beira do lago. Braços em volta de meu ombro. Dessa vez consigo ver seu rosto. Seus olhos negros, seus cabelos curtos e sua barba bem feita. Ele esboça um sorriso para mim. Eu posso velo. Posso ouvir sua respiração. Tento sair do seu abraço. Correr dali. Ir para longe. Mas estou congelado.
- Samuel! Samuel!
Ouço uma voz bem distante me chamando para a realidade. Mas o lago continua lá. O sol reflete o seu brilho nas suas águas. Eu estou lá olhando para o lago. Ele também.
- Samuel! Meu filho
De repente estou dentro da água, não me debato, não luto para sair dali. Minha respiração é ofegante. E apenas fixo o meu olhar em seus olhos. São tão parecidos com os meus. Tem uma tristeza neles que não consigo entender e nem compreender. Ouço a voz:
- Meu filho!

Sou arremessado para fora das águas e estou só. Encontro-me agora sentado na lanchonete de frente para ele. De frente para o meu pai. O pesadelo agora é real.

A FELICIDADE - CAPÍTULO XV - Autor: Zedekiah

Reconhecer o corpo de meu filho ali naquela mesa fria foi o momento mais difícil para mim. Sentir a sua pele fria, gélida e não sentir sua respiração arrancou parte de meu coração. Naquele momento meu desejo era apenas que meu filho abrisse os olhos e tudo não tivesse sido um erro. Infelizmente tudo aquilo era real.
Ali no IML eu fiz uma promessa a meu filho Filipi. Prometi que o responsável não sairia impune, pagaria com sua própria vida. Dente por dente e olho por olho. Não importa quanto tempo demore Filipi teria sua vingança.
Agora saber que tinha uma chance de pegar o assassino de meu filho, reacendeu em mim o desejo de vingar a sua morte. E eu moveria céu e terra para isso.
- Por favor entre Bruna, sente-se.
- Obrigada, João!
- Como você está?
- Estou bem obrigada. E sua esposa e filho?
- Vão bem obrigado. Joãozinho cada dia mais inteligente, aquele moleque.
- Que bom! Mas o que me trouxe aqui foi o caso do meu filho. Quero saber as novidades.
- Mas Bruna, seu marido já esteve aqui. Tudo que tinha de novo já contei para ele, não tem mais nada de novo.
- Sim, mas quero saber de você. Quero ouvir da sua voz.
Pude perceber que João não estava muito a vontade comigo ali. Mesmo ele me narrando todas as novidades que surgiram do caso da mesma forma que Carlos havia contado, sinto que eles escondem algum detalhe importante de mim.
- Bom é isso Bruna. Alguma dúvida?
- Só uma. Quem foi a pessoa que ligou denunciando? Isso nem Carlos e nem você me disseram.
- Não disse e nem posso dizer...
- Como não pode dizer? Eu tenho o direito de saber João, afinal...
- Bruna! Não posso dizer por que foram ligações anônimas. Não temos equipamentos ou formas de identificar de onde vieram ou quem fez essas ligações.
- Meu Deus, como isso pode ser. – Calo-me por um instante e observo João por um minuto, não acredito que ele esteja falando a verdade. Há algo nele, na sua voz que desperta em mim essa desconfiança. – João se você estiver mentindo para mim, eu nem sei o que posso fazer...
- Bruna, você tem que deixar isso com a polícia. Nós estamos investigando e vamos solucionar isso.
- Quando? Me diga João quando você vai prender o assassino do meu filho. Já faz três anos e eu apenas vejo você e Carlos sentados como se isso não tivesse importância alguma.
- Isso não é verdade. Você sabe muito bem que fizemos tudo o possível para achar, mas ninguém viu a placa do carro ou quem dirigia
- Esse é o problema. Vocês já fizeram tudo, mas eu, João, eu ainda não. – Levanto-me com muita raiva de Carlos, João e até mesmo de mim, pois durante anos me mantive passível diante disso. Quando estou saindo da sala ouço João me dizer:
- Bruna, por favor, não faça nada que vá se arrepender depois.
- Eu já fiz e já me arrependi João. E meu maior arrependimento é ter confiado a você este caso.
- Bruna, escute, estou fazendo o possível para...
- Chega João! Eu mesmo vou descobrir quem é. E quando eu descobrir – calo-me e saio da sala.
O ódio e a raiva tomam conta de mim. E quando penso nos beijos não dados, abraços não recebidos, e sorrisos não vistos, esses sentimentos apenas aumentam dentro do meu coração.
Quem tirou isso de mim não merece ser feliz. Quem arrancou de mim a felicidade merece o mesmo que me proporcionou há três anos atrás e é isso que vou lhe dar.

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Seu beijo me acalma. Traz a sensação de que nada de mal pode vir acontecer. Quando estou nos braços dela as cores parecem ser mais vivas. O cheiro das flores é mais forte. A única coisa que parece não cooperar é o tempo. Esse demonstra com seus ponteiros que não gosta de nos ver juntos. Mas isso não importa, pois sabemos aproveitar cada minuto quando estamos juntos.
Por mim, passaria a manhã, a tarde e a noite ao lado de Dany. É sempre bom estarmos ao lado daquele que amamos.
- Samuel, hoje descobrir que meus pais vinham escondendo de mim que as investigações sobre a morte de Filipi continuam.
- Mas porque eles esconderiam isso de você, meu amor.
- Não sei. Mas hoje escutei eles falando que receberam uma ligação na delegacia informando que o assassino estava novamente na cidade.
- Você acha que isso é verdade? Pode ser apenas um trote. Não acho que a pessoa voltaria aqui com tão pouco tempo do acontecido.
- Pensei nisso também. Mas minha mãe ficou tão chateada com meu pai que não acho que seja um trote.
- Bom se for verdade a polícia vai prendê-lo. É só questão de tempo.
- Essa é minha dúvida. E se deixarem que ele escape novamente. Isso não pode acontecer. Não dessa vez.
- Mas nem você e nem seus pais podem fazer nada Dany, apenas a polícia pode agir.
- Infelizmente.
- Meu amor, o que tiver de ser será. Lembre-se que se não tiver justiça dos homens terá a justiça de Deus.
- Será? Enfim não quero mais falar sobre isso.
- Tudo bem! Agora tenho que ir embora.
- Certo! Amanhã nos vemos na escola então.
- Não! Eu não vou a escola.
- Porque não?
- Vou me encontrar com meu pai.
- Verdade você me falou. Samuel lembre-se de ouvir primeiro para depois tomar qualquer atitude.

Não digo nada, abraço Dany por um tempo e beijo-a. 

A FELICIDADE - CAPITULO XIV - Autor: Zedekiah

- Bruna, você precisa se acalmar. As coisas não são assim!
- Se a polícia tem uma pista, como você mesmo disse, porque eles não vão lá e prendem logo.
- Porque as coisas não podem ser desta forma. Tem de seguir os tramites, além de que não se tem a certeza de que seja realmente ele.
- Tem horas que acho que você, Carlos, não quer que o responsável seja pego.
- Bruna, eu só não quero que um inocente seja responsabilizado por um crime que não cometeu. Ao contrário do que você pensa eu desejo que a justiça seja feita.
- Quem falou em justiça? Eu quero vingança Carlos. Vingança por meu filho, pelo Filipi.
- Você acha que o nosso Filipi iria querer isso? Vingança?
- Ele não está aqui está? E você sabe porque ele não está. Então Carlos não me venha dizer que estou errada. Eu fiquei sem meu filho enquanto um irresponsável está solto sem pagar pelo crime que cometeu.
- Nosso filho Bruna. Todos nós perdemos. Eu também o amava e ainda o amo, mas você sabe que o Filipi gostaria que a justiça fosse feita e não vingança como você gostaria.
- Você é um covarde Carlos. Se você qualquer outro já teria resolvido e dado o destino certo ao covarde que tirou a vida do nosso filho.
- O que você quer que eu faça Bruna? A polícia já vem investigando o caso, procurando pelo culpado. Eu não posso fazer nada.
- Você poderia ter ido atrás desse assassino e tê-lo matado. Mas você não teve coragem, não tem coragem.
- Nós nem sabíamos quem realmente era o culpado. E o que eu me tornaria: um assassino. Era isso que você queria?
- Sim, era isso que eu queria. Melhor um assassino do que um covarde.
- Bruna, você só terá felicidade quando tirar esse sentimento de seu coração. Perdoar, é isso que você tem de fazer.
- Perdoar! Foi isso que você fez? Perdoou quem matou seu filho e acha que ele não deve pagar pelo crime.
- Sim! Perdoei, mas isso não significa que não quero que ele seja responsabilizado pelo que fez.
- Carlos você é um covarde. Não sei por que ainda estou casada com você.

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Quando chego em casa, já tarde da noite, encontro minha mãe deitada no sofá. Ela estava me esperando. Eu não queria deixa-la preocupada, mas precisava caminhar, ordenar meus pensamentos para assim tomar as decisões certas.
- Mãe! – Chamo-a carinhosamente – Mãe, vamos pra cama.
- Samuel, meu filho. Eu estava te esperando e dormi.
- É foi. Vamos eu te ajudo a ir pra seu quarto.
- Samuel, você precisa...
- Eu sei! Eu sei o que preciso fazer. Amanhã nos conversamos e resolvemos isso. Tudo vai dar certo.
- Mas...
- Mãe, amanhã tá bem?
- Tudo bem!
Deixo minha mãe em seu quarto e sigo para o meu. Sei que está noite não conseguirei dormir direito, mesmo assim deito-me. Fico imaginando como será o encontro com meu pai. O que ele vai dizer, que história irá contar. Estou ansioso e inseguro também, pois não sei como agir e nem o que falar. Em meio ao meus pensamentos sinto meus olhos fecharem, estou cansado o dia foi puxado e estressante, finalmente durmo.

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Estou olhando para o alto. Olhando para o sol, seu brilho é tão intenso e forte. Sinto um braço ser colocado sobre meus ombros. Olho para a pessoa que me envolve com seus braços. É ele. Meu pai. Ele me segura e em instantes estou sendo mergulhado dentro do lago. Sinto o ar faltar-me nos pulmões. Debato-me, mas ele me mantém submerso nas águas turvas do lago. Somente quando paro de debater-me ele me solta, me deixa dentro da água e segue seu caminho.
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- Desculpe-me Erik!
- Pelo que cara?
- Tínhamos acertado de que você conheceria Dany ontem, mas houve tanta coisa que...
- Ah cara, deixa isso pra lá.
- Não! Eu quero que vocês se conheçam.
- Samuel tem coisa mais importante pra você se preocupar. Você já resolveu o que vai fazer?
- Sim! Já falei com minha mãe e ela vai marcar com ele.
- Que bom, vá com calma. Tente escutar antes de falar qualquer coisa. Lembre ele teve suas razões.
- Tudo bem. Você acredita que ontem tive o pesadelo dele me afogando no lago de novo. Você não acha que isso é um aviso para eu não ir vê-lo?
- Samuel, por favor. Claro que isso não é aviso coisa nenhuma.
- Não sei. Para mim isso é o aviso de que alguma coisa séria vai acontecer. Não sei se com ele ou comigo.

- Para cara. Você já está me assustando.