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Mãe! – Surpreso ao ver minha mãe bem vestida e totalmente arrumada. Seu
semblante estava totalmente mudado. Transmitia uma felicidade incomparável. - A
senhora está bem? Aconteceu alguma coisa?
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Estou bem meu filho. Vamos sente-se, já preparei seu café da manhã. – Me
assusto ainda mais ao ver a mesa repleta de comida. Algo aconteceu com Dona
Clara e eu não sei o que foi e isso me assusta. – Vamos Samuel, sente-se, coma,
não quero que se atrase para a escola.
-
Acho que não irei hoje. Estou pensando em ficar em casa com a senhora hoje. –
sento-me a mesa e sirvo-me observando minha mãe.
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Não! – percebo um nervosismo em sua voz – Não se preocupe comigo. Eu estou bem
de verdade.
-
Tudo bem, mas qualquer coisa você me liga que venho correndo, certo?
- Ok
Samuel, mas não vai precisar. Agora coma.
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Pelo amor de Deus Samuel. Num era você que vivia pedindo para que ela saísse
daquele estado, então?
- Eu
sei, mas é que, você tem de concordar comigo, foi muito de repente não acha?
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Sim foi! Mas vamos ver no que isso vai dar. E deixe pra se preocupar depois.
Tudo vai ficar bem, você vai ver. Vamos para a sala.
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Tudo vai ficar bem! Sim Erik, sinceramente eu espero que sim.
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Finalmente
o dia de ver meu grande amor chegou. Será que ele está tão ansioso como eu
estou. Não sei o que falar, nem o que vestir. Que perfume usar ou que batom
devo usar. Estou parecendo uma jovem que vai ao seu primeiro encontro.
Foi
tão difícil ficar esse tempo todo distante dele, mas o tempo não foi capaz de
apagar o amor que eu sinto por Samuel. Pergunto-me como ele está agora, se
sentiu minha falta como senti a sua.
Minha
mente recorda o dia em que ele me pediu para morarmos juntos. Eu estava saindo
do trabalho quando ele chegou. Em suas mãos um buquê de rosas vermelhas e um
anel de compromisso. Ainda posso ver nitidamente ele ficando de joelhos na rua
e eu ficando rubra de vergonha, mas com uma grande felicidade, parecia até que
meu coração iria sair pela minha boca.
E
hoje? O que será que ele preparou para mim. Será que trouxe rosas vermelhas, um
anel para reafirmar nosso amor. Não importa. Nada disso tem valor. O importante
é que ele voltou. Voltou e dessa vez vai ficar para sempre.
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Sim! Eu sei que tenho de falar com meu filho. Mas primeiro tenho de falar com a
mãe dele. Preciso saber o que ela contou para ele sobre mim. – paro e escuto –
Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Em breve tudo estará resolvido e eu terei
o amor de meu filho. O amor que a muito desprezei. – silencio-me por um
instante. Não! Não diga isso, nem sei como me preparar para isso. É claro que
ele irá me perdoar. Agora preciso ir. Depois falo com você novamente. Tchau!
Não
tem sido fácil conviver com os erros que cometi no passado. Magoei pessoas que
me amavam e que eu desprezei e os abandonei sem dar satisfação. A angústia de
não saber como será a reação de meu filho é o que mais me preocupa nesse
encontro.
Talvez
por isto que ainda não tive coragem de vê-lo e falar com ele. Por isso fiz a
loucura de falar primeiro com sua mãe, Clara, na esperança de que ela me ajude
a reaproximar-me dele.
Sei
que falhei com Clara, que não fui sincero, pedi que ela fizesse coisas que me
envergonho que a abandonei quando ela mais precisou, mas eu tive medo. Não pude
ficar. Fui covarde naquele tempo, mas mudei e voltei para corrigir os erros que
cometi.
Espero
que Clara entenda os motivos que me levaram a fugir e me perdoe.
Samuel,
meu filho é o bem mais precioso que tenho de resgatar para ter paz na minha
vida e minha felicidade ser completa e para isso estou disposto a fazer o que
for preciso.
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Estou
ansiosa. Já faz algum tempo que estou sentada aqui esperando por ele. Será que
ele não vem. Será que aconteceu alguma coisa com ele. Olho para todos os lados
a sua procura, ele não pode me deixar ali esperando, não quando foi ele que me
procurou.
As
pessoas ao redor parecem não terem problemas. Mães e pais acompanhados de seus
filhos sorriem e conversam com o uma verdadeira família deve ser. Como a minha
será. Imagino então como será este dia, nós três sentados juntos, rindo,
conversando como uma família feliz.
-
Clara. – Estava tão envolvida que não vi quando ele chegou e aproximou-se da
mesa – Clara, sou eu Samuel.
-
Samuel! – Assustei-me e surpreendi-me em ver quão diferente ele estava. Sua
beleza, sua voz tudo nele estava diferente. – Desculpe-me não o vi chegar. –
Coloco-me de pé, mas ele faz sinal para que eu sente. Sento-me e fico
observando ele puxar a cadeira a minha frente e sentar-se.
-
Como você está? Temos tantas coisas para conversar. Tenho tanto para te
explicar.
-
Não! Não importa Samuel. Você está aqui agora. Você voltou.
-
Sim voltei, mas você precisa saber a razão porque deixei vocês. Eu preciso do
teu perdão. Do perdão do nosso filho, Samuel.
-
Ah! Samuel vai ficar muito feliz quando souber. Você precisa ver nosso menino.
Tão inteligente, bonito, atencioso. Se parece muito com você. – Percebo que
Samuel tem seus olhos cheios de lágrimas quando falo sobre nosso filho.
-
Clara! Me perdoe por não ter te apoiado, não ter ficado ao seu lado e dado a
você o amor que merecia. Me perdoe por ter te abandonado por todo esses anos.
-
Não importa mais. Você está aqui e agora nós podemos recomeçar. Reconstruir
nossa família, nossas vidas juntos. O passado já não importa mais.
-
Clara, me escuta. Eu tenho... você precisa saber. Esse tempo que passei fora,
durante esses três anos, aconteceu algumas coisas comigo. Eu mudei, não sou
aquele homem que saiu daqui e que você conhecia. Eu...
- Do
que você está falando Samuel? Nada mudou. Eu continuo te amando. Te esperei
durante todo esse tempo. Nunca sai da cidade porque tinha certeza que você
voltaria para nós.
- E
você estava certa, eu voltei. Mas Clara, você tem de entender eu mudei. Voltei
para pedir perdão a você. Voltei para reconquistar o amor de meu filho, mas...
-
Mas... – Meu coração me dizia que não seria uma coisa boa – Mas o que Samuel? O
que aconteceu com você? Você não veio para ficar, é isso. Vai nos abandonar
novamente? Por quê?
-
Não! Não vou abandonar vocês de novo. Isso eu nunca mais farei. Mas sim,
aconteceu algo na minha vida. – Neste instante ele coloca as mãos sobre a mesa
e aí que eu vejo. – Clara, eu estou casado. Durante este tempo que passei fora,
distante conheci uma pessoa que mudou minha vida. Meu modo de pensar...
- E
por causa desta pessoa você deixou de me amar. Abandonou seu filho por três
anos. Deixando ele sem o amor de um pai. Você dizia que me amava, que jamais me
abandonaria. Foi por causa dela que você se foi, foi por causa dela que...
-
Não! Isso não é verdade Clara. Eu voltei por que ela me convenceu a voltar. A
procurar você e nosso filho. Pedir perdão para que meu coração tivesse paz.
-
Paz! Durante três anos eu vivi um pesadelo. Meu Deus! – É aí que vem a minha
mente tudo que fiz meu filho passar. A culpa que lancei sobre ele. O sofrimento
que o fiz passar. – Você tem noção da pessoa que eu me tornei. Do que eu fiz
nosso filho passar?
- Me
desculpe, mas...
-
Essa não era sua intenção? Era isso que você ia dizer? Não importa o que você
diga ou o que você faça, saiba de uma coisa Samuel. Você acabou com a minha
vida e com a vida de seu filho.
-
Clara, por favor, me perdoe. Todo esse tempo eu não tive paz, não encontrei a felicidade.
Meu coração não terá paz enquanto não conseguir o amor de meu filho.
-
Felicidade! Você quer falar de felicidade comigo? Por sua causa me tornei uma
pessoa amargurada. Esperando. Acreditando que você me amava. Que ainda me
amava. Eu jamais te odiei por ter me deixado. Não, nunca. Sabe por quê? Porque
eu acreditei que você também me amava e que um dia voltaria para mim, mas eu me
enganei.
-
Clara eu sinto muito. Eu sei que doeu muito pra você, mas acredite, também não
foi fácil para mim. Eu achava que te amava. Que aquilo que vivemos era amor. Mas
estava enganado.
- E
só quando você partiu foi que você descobriu isso. Eu não entendo. Por que razão
você foi embora Samuel? – Sinto suas mãos tremerem. Ele se recosta na cadeira e
respira fundo. Também deixo minhas costas caírem sobre a cadeira, sei que o que
quer que tenha motivado a partida de Samuel a três anos atrás irá mudar as
nossas vidas. Espero que isso seja capaz de trazer a paz e a felicidade que
preciso para continuar.
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Nossa, até que enfim você resolveu me apresentar a sua namorada hein.
-
Pelo amor de Deus vê se não me mata de vergonha viu Erik.
- O
que? Quando foi que te matei de vergonha?
-
Você quer que eu enumere? – Sorrimos juntos – E você tem de saber de uma coisa
antes.
-
Vixe, tô quase desistindo de conhecer
- Sério
cara. Eu acho que você já conhece a Dany
-
Como é que é? Você pirou. Eu já conheci uma garota chamada Danyele, mas não
acho que seja a mesma pessoa.
- Eu
não teria tanta certeza disso. Você não deixou de me contar algo da sua vida
que tenha acontecido a alguns anos atrás?
-
Samuel do que você está falando. Você conhece e sabe tudo que precisa saber
sobre a minha vida. Não tenho mais nada pra contar – Percebo pelo tom de sua
voz que isso é mentira.
-
Erik, você sabe que pode confiar em mim não sabe?
- Eu
já disse não tenho nada a esconder. Olha a hora estou atrasado. Preciso ir. –
Sai correndo e me deixa ali em frente a biblioteca sozinho.
-
Erik! Erik! Cara não esquece é amanhã.
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/ ----
Ela
estava lá. Linda e bela. Com a cabeça baixa e olhos vidrados na página do
livro. Quando ela começava a ler, parecia viajar. Tornar-se parte da história. Seus
olhos brilhavam e quando ela começava a falar do livro que lia, fazia isso com
tanto amor que parecia dar vida as personagens, tornando-as parte da vida real,
quase nos convencendo a ler e conhecer a história de cada uma.
Chego
perto e beijo-lhe a bochecha lentamente e suavemente. Ela ergue a cabeça olha
para mim e sorri.
-
Então?
-
Falei com ele.
-
Mas!?
-
Mas ele agiu estranho quando disse que talvez ele te conhecesse e de que ele
estava me escondendo algo.
-
Então você acha que estou certa
-
Sim! Talvez você esteja certa sobre ele ter sido amigo do seu irmão Filipi. –
Vejo que Dany agora está preocupada. Não sei o motivo. Ela nunca me falou como
seu irmão faleceu e eu nunca tive coragem de pergunta. Mas algo me diz que em
breve eu saberei. – Você está bem?
-
Sim! Estou bem.
Porque
Erik se afastou da família de Filipi após sua morte. Será que ele foi o culpado
pela morte do seu amigo ou ele queria apenas se afastar das lembranças que eles
lhe traziam de seu grande amigo?