quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO XI - Autor: Zedekiah

- Mãe! – Surpreso ao ver minha mãe bem vestida e totalmente arrumada. Seu semblante estava totalmente mudado. Transmitia uma felicidade incomparável. - A senhora está bem? Aconteceu alguma coisa?
- Estou bem meu filho. Vamos sente-se, já preparei seu café da manhã. – Me assusto ainda mais ao ver a mesa repleta de comida. Algo aconteceu com Dona Clara e eu não sei o que foi e isso me assusta. – Vamos Samuel, sente-se, coma, não quero que se atrase para a escola.
- Acho que não irei hoje. Estou pensando em ficar em casa com a senhora hoje. – sento-me a mesa e sirvo-me observando minha mãe.
- Não! – percebo um nervosismo em sua voz – Não se preocupe comigo. Eu estou bem de verdade.
- Tudo bem, mas qualquer coisa você me liga que venho correndo, certo?
- Ok Samuel, mas não vai precisar. Agora coma.

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- Pelo amor de Deus Samuel. Num era você que vivia pedindo para que ela saísse daquele estado, então?
- Eu sei, mas é que, você tem de concordar comigo, foi muito de repente não acha?
- Sim foi! Mas vamos ver no que isso vai dar. E deixe pra se preocupar depois. Tudo vai ficar bem, você vai ver. Vamos para a sala.
- Tudo vai ficar bem! Sim Erik, sinceramente eu espero que sim.

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Finalmente o dia de ver meu grande amor chegou. Será que ele está tão ansioso como eu estou. Não sei o que falar, nem o que vestir. Que perfume usar ou que batom devo usar. Estou parecendo uma jovem que vai ao seu primeiro encontro.
Foi tão difícil ficar esse tempo todo distante dele, mas o tempo não foi capaz de apagar o amor que eu sinto por Samuel. Pergunto-me como ele está agora, se sentiu minha falta como senti a sua.
Minha mente recorda o dia em que ele me pediu para morarmos juntos. Eu estava saindo do trabalho quando ele chegou. Em suas mãos um buquê de rosas vermelhas e um anel de compromisso. Ainda posso ver nitidamente ele ficando de joelhos na rua e eu ficando rubra de vergonha, mas com uma grande felicidade, parecia até que meu coração iria sair pela minha boca.
E hoje? O que será que ele preparou para mim. Será que trouxe rosas vermelhas, um anel para reafirmar nosso amor. Não importa. Nada disso tem valor. O importante é que ele voltou. Voltou e dessa vez vai ficar para sempre.

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- Sim! Eu sei que tenho de falar com meu filho. Mas primeiro tenho de falar com a mãe dele. Preciso saber o que ela contou para ele sobre mim. – paro e escuto – Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Em breve tudo estará resolvido e eu terei o amor de meu filho. O amor que a muito desprezei. – silencio-me por um instante. Não! Não diga isso, nem sei como me preparar para isso. É claro que ele irá me perdoar. Agora preciso ir. Depois falo com você novamente. Tchau!
Não tem sido fácil conviver com os erros que cometi no passado. Magoei pessoas que me amavam e que eu desprezei e os abandonei sem dar satisfação. A angústia de não saber como será a reação de meu filho é o que mais me preocupa nesse encontro.
Talvez por isto que ainda não tive coragem de vê-lo e falar com ele. Por isso fiz a loucura de falar primeiro com sua mãe, Clara, na esperança de que ela me ajude a reaproximar-me dele.
Sei que falhei com Clara, que não fui sincero, pedi que ela fizesse coisas que me envergonho que a abandonei quando ela mais precisou, mas eu tive medo. Não pude ficar. Fui covarde naquele tempo, mas mudei e voltei para corrigir os erros que cometi.
Espero que Clara entenda os motivos que me levaram a fugir e me perdoe.
Samuel, meu filho é o bem mais precioso que tenho de resgatar para ter paz na minha vida e minha felicidade ser completa e para isso estou disposto a fazer o que for preciso.

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Estou ansiosa. Já faz algum tempo que estou sentada aqui esperando por ele. Será que ele não vem. Será que aconteceu alguma coisa com ele. Olho para todos os lados a sua procura, ele não pode me deixar ali esperando, não quando foi ele que me procurou.
As pessoas ao redor parecem não terem problemas. Mães e pais acompanhados de seus filhos sorriem e conversam com o uma verdadeira família deve ser. Como a minha será. Imagino então como será este dia, nós três sentados juntos, rindo, conversando como uma família feliz.
- Clara. – Estava tão envolvida que não vi quando ele chegou e aproximou-se da mesa – Clara, sou eu Samuel.
- Samuel! – Assustei-me e surpreendi-me em ver quão diferente ele estava. Sua beleza, sua voz tudo nele estava diferente. – Desculpe-me não o vi chegar. – Coloco-me de pé, mas ele faz sinal para que eu sente. Sento-me e fico observando ele puxar a cadeira a minha frente e sentar-se.
- Como você está? Temos tantas coisas para conversar. Tenho tanto para te explicar.
- Não! Não importa Samuel. Você está aqui agora. Você voltou.
- Sim voltei, mas você precisa saber a razão porque deixei vocês. Eu preciso do teu perdão. Do perdão do nosso filho, Samuel.
- Ah! Samuel vai ficar muito feliz quando souber. Você precisa ver nosso menino. Tão inteligente, bonito, atencioso. Se parece muito com você. – Percebo que Samuel tem seus olhos cheios de lágrimas quando falo sobre nosso filho.
- Clara! Me perdoe por não ter te apoiado, não ter ficado ao seu lado e dado a você o amor que merecia. Me perdoe por ter te abandonado por todo esses anos.
- Não importa mais. Você está aqui e agora nós podemos recomeçar. Reconstruir nossa família, nossas vidas juntos. O passado já não importa mais.
- Clara, me escuta. Eu tenho... você precisa saber. Esse tempo que passei fora, durante esses três anos, aconteceu algumas coisas comigo. Eu mudei, não sou aquele homem que saiu daqui e que você conhecia. Eu...
- Do que você está falando Samuel? Nada mudou. Eu continuo te amando. Te esperei durante todo esse tempo. Nunca sai da cidade porque tinha certeza que você voltaria para nós.
- E você estava certa, eu voltei. Mas Clara, você tem de entender eu mudei. Voltei para pedir perdão a você. Voltei para reconquistar o amor de meu filho, mas...
- Mas... – Meu coração me dizia que não seria uma coisa boa – Mas o que Samuel? O que aconteceu com você? Você não veio para ficar, é isso. Vai nos abandonar novamente? Por quê?
- Não! Não vou abandonar vocês de novo. Isso eu nunca mais farei. Mas sim, aconteceu algo na minha vida. – Neste instante ele coloca as mãos sobre a mesa e aí que eu vejo. – Clara, eu estou casado. Durante este tempo que passei fora, distante conheci uma pessoa que mudou minha vida. Meu modo de pensar...
- E por causa desta pessoa você deixou de me amar. Abandonou seu filho por três anos. Deixando ele sem o amor de um pai. Você dizia que me amava, que jamais me abandonaria. Foi por causa dela que você se foi, foi por causa dela que...
- Não! Isso não é verdade Clara. Eu voltei por que ela me convenceu a voltar. A procurar você e nosso filho. Pedir perdão para que meu coração tivesse paz.
- Paz! Durante três anos eu vivi um pesadelo. Meu Deus! – É aí que vem a minha mente tudo que fiz meu filho passar. A culpa que lancei sobre ele. O sofrimento que o fiz passar. – Você tem noção da pessoa que eu me tornei. Do que eu fiz nosso filho passar?
- Me desculpe, mas...
- Essa não era sua intenção? Era isso que você ia dizer? Não importa o que você diga ou o que você faça, saiba de uma coisa Samuel. Você acabou com a minha vida e com a vida de seu filho.
- Clara, por favor, me perdoe. Todo esse tempo eu não tive paz, não encontrei a felicidade. Meu coração não terá paz enquanto não conseguir o amor de meu filho.
- Felicidade! Você quer falar de felicidade comigo? Por sua causa me tornei uma pessoa amargurada. Esperando. Acreditando que você me amava. Que ainda me amava. Eu jamais te odiei por ter me deixado. Não, nunca. Sabe por quê? Porque eu acreditei que você também me amava e que um dia voltaria para mim, mas eu me enganei.
- Clara eu sinto muito. Eu sei que doeu muito pra você, mas acredite, também não foi fácil para mim. Eu achava que te amava. Que aquilo que vivemos era amor. Mas estava enganado.
- E só quando você partiu foi que você descobriu isso. Eu não entendo. Por que razão você foi embora Samuel? – Sinto suas mãos tremerem. Ele se recosta na cadeira e respira fundo. Também deixo minhas costas caírem sobre a cadeira, sei que o que quer que tenha motivado a partida de Samuel a três anos atrás irá mudar as nossas vidas. Espero que isso seja capaz de trazer a paz e a felicidade que preciso para continuar.

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- Nossa, até que enfim você resolveu me apresentar a sua namorada hein.
- Pelo amor de Deus vê se não me mata de vergonha viu Erik.
- O que? Quando foi que te matei de vergonha?
- Você quer que eu enumere? – Sorrimos juntos – E você tem de saber de uma coisa antes.
- Vixe, tô quase desistindo de conhecer
- Sério cara. Eu acho que você já conhece a Dany
- Como é que é? Você pirou. Eu já conheci uma garota chamada Danyele, mas não acho que seja a mesma pessoa.
- Eu não teria tanta certeza disso. Você não deixou de me contar algo da sua vida que tenha acontecido a alguns anos atrás?
- Samuel do que você está falando. Você conhece e sabe tudo que precisa saber sobre a minha vida. Não tenho mais nada pra contar – Percebo pelo tom de sua voz que isso é mentira.
- Erik, você sabe que pode confiar em mim não sabe?
- Eu já disse não tenho nada a esconder. Olha a hora estou atrasado. Preciso ir. – Sai correndo e me deixa ali em frente a biblioteca sozinho.
- Erik! Erik! Cara não esquece é amanhã.

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Ela estava lá. Linda e bela. Com a cabeça baixa e olhos vidrados na página do livro. Quando ela começava a ler, parecia viajar. Tornar-se parte da história. Seus olhos brilhavam e quando ela começava a falar do livro que lia, fazia isso com tanto amor que parecia dar vida as personagens, tornando-as parte da vida real, quase nos convencendo a ler e conhecer a história de cada uma.
Chego perto e beijo-lhe a bochecha lentamente e suavemente. Ela ergue a cabeça olha para mim e sorri.
- Então?
- Falei com ele.
- Mas!?
- Mas ele agiu estranho quando disse que talvez ele te conhecesse e de que ele estava me escondendo algo.
- Então você acha que estou certa
- Sim! Talvez você esteja certa sobre ele ter sido amigo do seu irmão Filipi. – Vejo que Dany agora está preocupada. Não sei o motivo. Ela nunca me falou como seu irmão faleceu e eu nunca tive coragem de pergunta. Mas algo me diz que em breve eu saberei. – Você está bem?
- Sim! Estou bem.

Porque Erik se afastou da família de Filipi após sua morte. Será que ele foi o culpado pela morte do seu amigo ou ele queria apenas se afastar das lembranças que eles lhe traziam de seu grande amigo?

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO X - Autor: Zedekiah

Finalmente, o sinal toca no Colégio e Curso Ana Tereza Cristina anunciando o fim das aulas daquele dia. Junto meus pertences às pressas, não quero perder um minuto ao lado dela. Sentir suas mãos, seu cheiro, seu toque. Tudo isso me acalma, aquieta meu coração. E depois da noite de ontem preciso ainda mais dela.
Marcamos de nos encontrar no lago. Sozinho, depois do pesadelo, não me atreveria a chegar perto de um lago, mas com ela a paisagem muda, fica serena e bela. Chego no lago, no local onde marcamos e não a vejo. Meus olhos percorrem toda a circunferência a procura dela, mas não conseguem encontrá-la. Sento-me então no banco e de repente uma mão cobrem meus olhos. O perfume, sei que é ela, mesmo assim toco suas mãos. Acaricio por um estante e de algum modo a puxo para mim dando-lhe um beijo em sua boca.
Tudo ao redor desaparece. Problemas, preocupação, sonhos ou pesadelos, já não existem. Ali, naquele momento somos apenas nós. Dany e eu. O Soprar do vento. O canto dos passarinhos. E até o calor do sol daquela tarde não incomodam, mas fazem aquele momento único e maravilhoso.
- Então? O que você tem pra falar, você parecia tão angustiado no telefone. – Dany indaga sentando ao meu lado e segurando minha mão.
Olho para suas mãos segurando as minhas e penso que se contar posso perdê-la e definitivamente não quero isso. Sinto sua mão em meu queixo, suavemente ela ergue minha cabeça e aperta minha mão.
- Samuel, não precisa ter medo. Eu te amo. Seja o que for estarei aqui sempre pra te ajudar. – Olho para o lago e as imagens do pesadelo vem a minha mente. Sinto que vou chorar. Não quero e não posso. O que ela pesaria ao me ver chorar. Que sou fraco e inseguro. – Confie em mim Samuel. Não vou te deixar por nada, já disse, eu te amo.
- Eu sei. Quero que você saiba que você é, foi e será a melhor coisa que já aconteceu na minha vida Dany. Eu te amo muito. É só que eu não sei por onde começar...
- Tudo bem! Quando você estiver pronto, ta bem? Mas você disse que iria me levar para conhecer sua mãe e também iria me apresentar seu amigo, que aliás eu ainda nem sei o nome dele.
- Erik! O nome dele é Erik e se ele estivesse aqui saberia por onde eu devia começar. Você vai gostar dele. – Ao ouvir o nome de Erik, percebo que Dany fica meio excitada – Que houve você está bem?
- Você disse Erik?
- Sim, isso mesmo. O que foi? Você conhece?
- Meu irmão tinha um amigo chamado Erik. Eles eram muito amigos. Viviam juntos, pra cima e pra baixo. Sabiam tudo um do outro.
- Sério. Que surpresa. Será que é a mesma pessoa?
- Não sei. Depois que Filipi morreu não nos falamos mais. Erik se afastou da minha casa. Ficou um tempo sem vir a escola, parecia que tinha desistido. Foi difícil pra mim e minha família, mas pra ele sabe, parece ter sido muito pior.
- Sinto muito. Mas quem sabe vocês não reencontrem-se novamente.
- É! – Falar de Filipi ou lembrar de seus amigos sempre deixa Dany triste e cabisbaixa, parece que apesar do tempo ela ainda não superou.
- Quanto tempo faz que seu irmão morreu?
- Três anos. – agora quem baixa a cabeça sou eu, pois exatamente a três anos fui abandonado. – Que foi?
- Sabe Dany, meu pai não morreu como muitos pensam e eu até goste que pensem. A verdade é que a exatamente três anos ele abandonou minha mãe e a mim também.
- Sinto muito, Samuel.
- É por isso que eu ainda não te levei em casa. Minha mãe ainda não superou. Ainda não aceitou isso e espera que um dia ele volte. Ela está doente e me culpa pelo fato dele ter ido embora.
- Você sabe que a culpa não é sua né?
- Às vezes eu não tenho tanta certeza. Tem noites que ela surta e grita comigo dizendo que eu nunca deveria ter nascido, que eu fui o culpado pela saída dele de casa. Tenho vontade de sumir, ir pra bem distante de casa e nunca mais voltar.
- Não! Entenda, como você mesmo disse ela está doente. Precisando de ajuda. Se você se for ela só irá piorar ainda mais.
- E quanto a mim – minha voz agora já não era suave – ninguém pensa em mim? No que estou sentido? Como me sinto ao ser rejeitado por aquela que deveria me amar?
- Meu amor! – sua voz penetrou por meus ouvidos chegando a meu coração e me acalmando – Perceba que se ela realmente não te amasse teria te abandonado a muito tempo. Mesmo em meio a dor que ela sentia ficou ao seu lado...
- Como? Como ela me ama se me culpa? Eu não entendo esse amor Dany
- Samuel, ela sofre e precisa colocar isso pra fora. E infelizmente escolheu você por que, talvez soubesse que você independentemente da situação ou o que ela viesse a fazer jamais você a desprezaria e a abandonaria.
- Não sei se aguento mais. Não tenho em quem me apoiar
- Tem sim! – Dany me abraça – Eu estou aqui. Se apoie em mim se for preciso. Samuel você é o porto seguro de sua mãe. Não a abandone.
 Ficamos ali, abraçados por um bom tempo. Seu cheiro me acalmava. Os seus braços me davam segurança. Como era bom ouvir a sua voz. Não queria sair dali. Queria que o tempo parasse naquele momento.

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Três anos passaram e a cidade de Cajueiro/AL permanece a mesma. O bom de cidades pequenas é isso. Você pode passar anos fora e quando voltar continuará a mesma. Sabe aquele poema de Drummond, Cidadezinha qualquer, pois é. Ele descreve fielmente Cajueiro. Respirar novamente o ar dessa cidade me traz recordações que há muito queria esquecer e não consegui. Dizem que o tempo cura qualquer ferida, comigo o tempo não foi tão bom curador.
Três anos que partir. Três anos que os deixei, sem explicação, sem nenhuma palavra e nem um beijo.
Antes eu o desprezava, não o beijava e nem o abraçava. Não o acompanhei em seu primeiro jogo na escola, nem vi sua primeira feira de ciência e nem fui a uma reunião de pais ou mestres. Não corri para o seu quarto quando ele gritava e chorava porque tinha tido um pesadelo, ou sequer corri para levantá-lo quando ele andava de bicicleta caia e machucava o joelho. Quantos momentos perdi. Que abismo criei entre mim e meu filho. Talvez seja tarde demais, mesmo assim quero que ele saiba que apesar do tempo e da demora para isso e que seja tarde demais eu finalmente descobri. Eu amo meu filho. Foi por ele que eu voltei.

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- Samuel isso é apenas um pesadelo, seu pai jamais faria isso com você.
- Então porque ele me abandonou?
- Ele deve ter dito seus motivos. Não estou dizendo que ele esteja certo pelo que fez, mas se um dia ele voltar, primeiro o escute. Tente entender as suas razões.
- Ele voltar? Você sabia que durante todos esses anos ele nunca escreveu ou telefonou. Nunca! Acho que ele nunca voltará.
- Mas é você Samuel?
- Eu o quê?
- Você gostaria que ele voltasse? O que você sente por ele?
- Eu...eu não sei. Não sei o que queria, não sei se o que sinto é saudade, raiva ou ódio. Apenas penso que se ele estivesse ficado e enfrentado o que quer que fosse as coisas fossem diferentes e minha mãe fosse outra.
- Mas nem tudo acontece do jeito que nós queremos – sei que ela se refere a morte de seu irmão – porém devemos saber que tudo é permissão de Deus e devemos aprender alguma coisa com aquilo que passamos.
- Eu sei. Eu aprendi a sofrer.
- Samuel!!!!! – Ela bate em meus ombros, olha em meus olhos – Um dia você será muito feliz e tudo isso será apenas lembranças.

- Não quero que você seja minha lembrança. Quero que você seja meu passado, presente e meu futuro. – Então a beijo desejando que ela seja minha felicidade para sempre.