segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO XIX - Autor Zedekiah

- Samuel, como eu disse não posso. Prometi ao delegado que hoje mesmo, após conversar com você me entregaria.
- Porque você faria isso? Dany nunca mais vai querer olhar para mim. Para o filho do assassino de seu irmão. Como você pode fazer isso.
- Foi um acidente. Eu estava bêbado naquela manhã. Perdi o controle do carro. Quando vi ele estava lá bem na minha frente não tive como desviar-me dele. Fugi, tive medo da reação das pessoas naquele momento.
- E agora pai. – Era a primeira vez que o chamava assim, sem raiva, sem ódio. Apenas um sentimento de compaixão. – O que vai ser de você? O que vai ser de nós?
- Eu não sei. Agora tudo está nas mãos da lei meu filho. A justiça será feita e eu finalmente terei paz em meu coração.
- ASSASSINO! – escuto apenas os gritos desesperado das pessoas ao ouvirem a voz alterada da mulher com uma arma na mão apontado em nossa direção. Na verdade a arma estava apontada em minha direção, mas ela direcionava seu olhar de ódio e vingança para meu pai. – Você tirou meu filho de mim, agora eu vou tirar o seu. Assim você vai sentir tudo o que eu senti.
- Minha senhora – Neste momento meu pai e eu já estávamos em pé. Eu não sabia se olhava para meu pai ou para dona Bruna. – Tenha calma. Não faça nada que possa se arrepender.
- Você se arrependeu pelo que fez?
- Foi apenas um acidente dona Bruna. Ele até confessou. Vai se entregar.
- Cale a boca garoto. Você não sabe nada sobre a vida. Seu pai é um assassino. Me fez sofrer e eu vou fazê-lo sofrer tirando aquilo que ele descobriu amar. Você.
Todos que ocupavam a lanchonete neste momento já estão do lado de fora. Protegidos por carros, mas ainda assim não foram embora. Ficaram para assistir o desenrolar daquela história. Agora que tenho meu pai estou prestes a perdê-lo. Seja por um tiro ou pela prisão. De qualquer forma a segunda opção é a mais viável. A mãe de Dany parece ser outra pessoa. Ela está decidida a tirar minha vida. Meu pai dá alguns passos para meu lado tentando se posicionar em minha frente.
Olho nos seus olhos, sinto agora todo o amor que ele sente por mim. Vejo o desejo dele em compartilhar comigo as suas conquistas, suas realizações. Sinto que ele desejaria contar-me o homem que se tornou. O pai protetor e amável que todos devem ser. Agora sei que eu também o amo.
- Mãe, por favor abaixe essa arma. Vamos conversar. – Ela está aqui. Isso significa que ela já sabe de toda a verdade. O que será que ela pensa, como ela irá reagir quando toda essa tempestade passar?
- Dany, o que você faz aqui. Vá embora. Não temos nada para conversar aqui. O Assassino de seu irmão tem de pagar.
- Mãe a polícia está a caminho para prendê-lo. Cabe a eles isso.
- Não! Eles tiveram a oportunidade de prendê-lo e não fizeram. Deixaram-no solto, agora eu vou fazer justiça.
- Matando meu amigo? Isso é justiça para você? – Erik, meu grande amigo estava aqui. Como sempre me prometeu na alegria, na tristeza em todos os momentos.
- Sim. Olho por olho, dente por dente! Ele tirou meu filho e agora vou tirar o dele.
De repente ouço as sirenes do carro da polícia, a movimentação do lado de fora e o estampido de uma arma sendo disparada. Não uma, mas duas vezes. Sou arremessado para traz.
Gritos.
Correria.
Choro.
Uma luz clara e brilhante.
De repente meus olhos fecham.

Apenas a escuridão.

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