-
Samuel, como eu disse não posso. Prometi ao delegado que hoje mesmo, após
conversar com você me entregaria.
-
Porque você faria isso? Dany nunca mais vai querer olhar para mim. Para o filho
do assassino de seu irmão. Como você pode fazer isso.
-
Foi um acidente. Eu estava bêbado naquela manhã. Perdi o controle do carro.
Quando vi ele estava lá bem na minha frente não tive como desviar-me dele.
Fugi, tive medo da reação das pessoas naquele momento.
- E
agora pai. – Era a primeira vez que o chamava assim, sem raiva, sem ódio.
Apenas um sentimento de compaixão. – O que vai ser de você? O que vai ser de
nós?
- Eu
não sei. Agora tudo está nas mãos da lei meu filho. A justiça será feita e eu
finalmente terei paz em meu coração.
-
ASSASSINO! – escuto apenas os gritos desesperado das pessoas ao ouvirem a voz
alterada da mulher com uma arma na mão apontado em nossa direção. Na verdade a
arma estava apontada em minha direção, mas ela direcionava seu olhar de ódio e
vingança para meu pai. – Você tirou meu filho de mim, agora eu vou tirar o seu.
Assim você vai sentir tudo o que eu senti.
-
Minha senhora – Neste momento meu pai e eu já estávamos em pé. Eu não sabia se
olhava para meu pai ou para dona Bruna. – Tenha calma. Não faça nada que possa
se arrepender.
-
Você se arrependeu pelo que fez?
-
Foi apenas um acidente dona Bruna. Ele até confessou. Vai se entregar.
-
Cale a boca garoto. Você não sabe nada sobre a vida. Seu pai é um assassino. Me
fez sofrer e eu vou fazê-lo sofrer tirando aquilo que ele descobriu amar. Você.
Todos
que ocupavam a lanchonete neste momento já estão do lado de fora. Protegidos
por carros, mas ainda assim não foram embora. Ficaram para assistir o
desenrolar daquela história. Agora que tenho meu pai estou prestes a perdê-lo.
Seja por um tiro ou pela prisão. De qualquer forma a segunda opção é a mais
viável. A mãe de Dany parece ser outra pessoa. Ela está decidida a tirar minha
vida. Meu pai dá alguns passos para meu lado tentando se posicionar em minha
frente.
Olho
nos seus olhos, sinto agora todo o amor que ele sente por mim. Vejo o desejo
dele em compartilhar comigo as suas conquistas, suas realizações. Sinto que ele
desejaria contar-me o homem que se tornou. O pai protetor e amável que todos
devem ser. Agora sei que eu também o amo.
-
Mãe, por favor abaixe essa arma. Vamos conversar. – Ela está aqui. Isso
significa que ela já sabe de toda a verdade. O que será que ela pensa, como ela
irá reagir quando toda essa tempestade passar?
-
Dany, o que você faz aqui. Vá embora. Não temos nada para conversar aqui. O
Assassino de seu irmão tem de pagar.
-
Mãe a polícia está a caminho para prendê-lo. Cabe a eles isso.
- Não!
Eles tiveram a oportunidade de prendê-lo e não fizeram. Deixaram-no solto,
agora eu vou fazer justiça.
-
Matando meu amigo? Isso é justiça para você? – Erik, meu grande amigo estava
aqui. Como sempre me prometeu na alegria, na tristeza em todos os momentos.
-
Sim. Olho por olho, dente por dente! Ele tirou meu filho e agora vou tirar o
dele.
De
repente ouço as sirenes do carro da polícia, a movimentação do lado de fora e o
estampido de uma arma sendo disparada. Não uma, mas duas vezes. Sou arremessado
para traz.
Gritos.
Correria.
Choro.
Uma
luz clara e brilhante.
De
repente meus olhos fecham.
Apenas
a escuridão.
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