-
Bruna, você precisa se acalmar. As coisas não são assim!
- Se
a polícia tem uma pista, como você mesmo disse, porque eles não vão lá e
prendem logo.
-
Porque as coisas não podem ser desta forma. Tem de seguir os tramites, além de
que não se tem a certeza de que seja realmente ele.
-
Tem horas que acho que você, Carlos, não quer que o responsável seja pego.
-
Bruna, eu só não quero que um inocente seja responsabilizado por um crime que
não cometeu. Ao contrário do que você pensa eu desejo que a justiça seja feita.
-
Quem falou em justiça? Eu quero vingança Carlos. Vingança por meu filho, pelo
Filipi.
-
Você acha que o nosso Filipi iria querer isso? Vingança?
-
Ele não está aqui está? E você sabe porque ele não está. Então Carlos não me
venha dizer que estou errada. Eu fiquei sem meu filho enquanto um irresponsável
está solto sem pagar pelo crime que cometeu.
-
Nosso filho Bruna. Todos nós perdemos. Eu também o amava e ainda o amo, mas
você sabe que o Filipi gostaria que a justiça fosse feita e não vingança como
você gostaria.
-
Você é um covarde Carlos. Se você qualquer outro já teria resolvido e dado o
destino certo ao covarde que tirou a vida do nosso filho.
- O
que você quer que eu faça Bruna? A polícia já vem investigando o caso,
procurando pelo culpado. Eu não posso fazer nada.
-
Você poderia ter ido atrás desse assassino e tê-lo matado. Mas você não teve
coragem, não tem coragem.
-
Nós nem sabíamos quem realmente era o culpado. E o que eu me tornaria: um
assassino. Era isso que você queria?
-
Sim, era isso que eu queria. Melhor um assassino do que um covarde.
-
Bruna, você só terá felicidade quando tirar esse sentimento de seu coração.
Perdoar, é isso que você tem de fazer.
-
Perdoar! Foi isso que você fez? Perdoou quem matou seu filho e acha que ele não
deve pagar pelo crime.
-
Sim! Perdoei, mas isso não significa que não quero que ele seja
responsabilizado pelo que fez.
-
Carlos você é um covarde. Não sei por que ainda estou casada com você.
----/----
Quando
chego em casa, já tarde da noite, encontro minha mãe deitada no sofá. Ela
estava me esperando. Eu não queria deixa-la preocupada, mas precisava caminhar,
ordenar meus pensamentos para assim tomar as decisões certas.
-
Mãe! – Chamo-a carinhosamente – Mãe, vamos pra cama.
-
Samuel, meu filho. Eu estava te esperando e dormi.
- É
foi. Vamos eu te ajudo a ir pra seu quarto.
-
Samuel, você precisa...
- Eu
sei! Eu sei o que preciso fazer. Amanhã nos conversamos e resolvemos isso. Tudo
vai dar certo.
-
Mas...
-
Mãe, amanhã tá bem?
-
Tudo bem!
Deixo
minha mãe em seu quarto e sigo para o meu. Sei que está noite não conseguirei
dormir direito, mesmo assim deito-me. Fico imaginando como será o encontro com
meu pai. O que ele vai dizer, que história irá contar. Estou ansioso e inseguro
também, pois não sei como agir e nem o que falar. Em meio ao meus pensamentos
sinto meus olhos fecharem, estou cansado o dia foi puxado e estressante,
finalmente durmo.
----/----
Estou
olhando para o alto. Olhando para o sol, seu brilho é tão intenso e forte.
Sinto um braço ser colocado sobre meus ombros. Olho para a pessoa que me
envolve com seus braços. É ele. Meu pai. Ele me segura e em instantes estou
sendo mergulhado dentro do lago. Sinto o ar faltar-me nos pulmões. Debato-me,
mas ele me mantém submerso nas águas turvas do lago. Somente quando paro de
debater-me ele me solta, me deixa dentro da água e segue seu caminho.
----/----
-
Desculpe-me Erik!
-
Pelo que cara?
-
Tínhamos acertado de que você conheceria Dany ontem, mas houve tanta coisa que...
- Ah
cara, deixa isso pra lá.
-
Não! Eu quero que vocês se conheçam.
-
Samuel tem coisa mais importante pra você se preocupar. Você já resolveu o que
vai fazer?
-
Sim! Já falei com minha mãe e ela vai marcar com ele.
-
Que bom, vá com calma. Tente escutar antes de falar qualquer coisa. Lembre ele
teve suas razões.
-
Tudo bem. Você acredita que ontem tive o pesadelo dele me afogando no lago de
novo. Você não acha que isso é um aviso para eu não ir vê-lo?
-
Samuel, por favor. Claro que isso não é aviso coisa nenhuma.
-
Não sei. Para mim isso é o aviso de que alguma coisa séria vai acontecer. Não
sei se com ele ou comigo.
-
Para cara. Você já está me assustando.
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