quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A FELICIDADE - CAPÍTULO VI - Autor: Zedekiah

Capítulo VI


- Você está bem?
- Sim, obrigada! Se não fosse por você...
- Inda bem que eu ia passando. Mas o que houve você escorregou?
- É! Sou meio desastrada mesmo.
.............

E por um tempo ficaram ali em frente a biblioteca sem trocarem uma palavra. Minutos apavorantes em que os pensamentos estavam a mil quilômetros por hora. Dany pensava: “pronto agora é que ele num vai querer nem ser meu amigo”, e Samuel pensava com seus botões: “diz alguma coisa, babaca, pergunta o nome dela”, mas parecia que ambos não tinham coragem, estavam travados, seus pés não se moviam e seus lábios não conseguiam pronunciar palavra alguma.
- Você não quer sentar um pouco? – Perguntou um Samuel receoso, temeroso por um não como resposta – Tem um banco livre ali, assim você se recupera um pouco do susto. Posso te acompanhar – nesse instante Dany levanta a cabeça e olha para Samuel – Se você quiser claro.
- Tudo bem! Acho que preciso sentar um pouco.
E lá foram eles, ainda não sabiam o nome um do outro, ou a história, mas naquele dia, naquele momento uma história nova estava sendo escrita para Dany e Samuel.

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- Não!
O som da voz e imponência com a qual foi dita, transmitia todo o ódio e desprezo que uma pessoa poderia transmitir a outra.
- Quantas vezes tenho de lhe dizer, não nasci para ser PAI. Já falei e vou lhe repetir eu lhe amo, mas se você levar adiante essa gravidez e ter esse filho, você vai me perder para sempre. Você me entendeu? Sempre!
- Eu não posso fazer o que você me pede, é contra os meus princípios. É uma vida que tenho em meu ventre e eu...
- Vida!? Você chama isso de vida. Ainda não tem nem um mês, como você pode dizer que é uma vida. Ele, ela ou o que estiver em seu ventre vai acabar com nossas vidas para sempre. – aproximando e com a voz suave e mansa ele prossegue:
- Não vai doer nada, e em poucas horas teremos nossas vidas de volta. Entenda por favor, não estamos prontos para sermos pais.
- Não, você não me ama, nunca me amou – seus olhos vermelhos, seu rosto banhado em lágrimas – Se o sentimento que diz sentir por mim fosse real e verdadeiro estaria a meu lado, me apoiaria e jamais pediria para que eu tirasse nosso filho.
- Seu FILHO – dessa vez ele grita e esmurra o tronco da árvore que os abriga naquela tarde – não meu. Eu nunca o quis! – é possível notar uma lágrima timidamente escorrer pela face daquele homem.
A tarde, por mais brilhante e ardente que estivesse, trazia para aquela jovem uma notícia de tristeza e pranto, sua vida estaria agora destruída. Seus sonhos lhe foram destituídos e o jovem que lhe fizera juras de amor naquele mesmo local, sobre a sombra da frondosa árvore agora lhe dizia que seu amor não suportaria uma gravidez. E a proposta que lhe fizera lhe partirá para sempre o coração. Não teria coragem de tirar, matar o filho que estava em seu ventre, mas seu coração não suportaria perder o amor de sua vida e isto a tornaria uma mulher amarga e triste.
A família quis manter as aparências Carla e Samuel casaram-se e a jovem acreditou que isso resolveria, que quando a criança nascesse Samuel se arrependeria do que disse e amaria o filho e voltaria a amá-la mais ainda. Mas os meses passaram a criança nasceu, um menino. Carla deu a criança o nome do pai para amolecer o seu coração, mas não adiantou:
- Seu nome será Samuel – disse ela esperando uma reação de alegria.
- Tanto faz. Por mim pode chamá-lo do que quiser. – E saiu cabisbaixo para encontrar-se com amigos em uma mesa de bar.
Assim os anos passarão. E a cada ano a frieza entre Samuel e Carla crescia e por mais que ela fizesse para aproximar pai e filho nada dava certo, apenas o afastava cada vez mais dele. Já não eram um casal, não conversavam, não riam, a cumplicidade acabou. Carla começou a culpar o filho pelo distanciamento do esposo. Perdeu os momentos mais importantes da infância de seu filho. Chorava sempre, pois ainda amava seu esposo, e quando o pequeno Samuel adoecia, não suportava vê-lo chorar, e o levava para casa de sua mãe para que ela cuidasse dele. Tornou-se uma mãe desleixada, colocava a culpa de sua infelicidade no pequeno Samuel. Os anos passaram, e seu esposo saiu numa manhã e nunca mais retornou, isso a deixou amargurada e sua vida agora era procurar rastros de seu marido e quando descobria algo dele em alguma cidade, se mudava para lá na esperança de encontrá-lo.
E a notícia de que seu grande amor estava de volta a cidade a alegrou, deu-lhe um pouco de esperança. Mas a sua felicidade na pequena cidade de Cajueiro-AL estava longe de chegar. E eventos do passado tornaria a situação ainda mais complicada. O passado as vezes abre feridas a muito cicatrizadas.

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- Desculpe-me nem lhe disse meu nome – e erguendo a mão disse – Danny.
- Samuel! Meu nome! Meu nome é Samuel – disse com tanto entusiasmo que Dany não se conteve e deu um leve sorriso.
Samuel achou aquele o sorriso, mas lindo que já vira em sua vida. Estava tudo tão lindo, tão bom, tão gostoso que nenhum dos dois queriam ir embora. Aquele momento em que eles não sabiam o que falar tinha desaparecido, a cumplicidade entre eles parecia ser de muitos anos. E a tarde já se ia e o pôr do sol era algo maravilhoso de se ver, parecia que a natureza saudava aquele encontro.
- Nossa as horas já se passaram.
- É foi tão rápido, acho que você tem de ir não é Dany?
- Sim, tenho de ir! Mas foi muito bom conversar com você e obrigado por me salvar!
- Não tem de que. Precisando estou por aqui. – Dany sorri – Não! Não que eu queira que você fique tropeçando por aí é só... Annn deixa prá lá você me entendeu, né?
- Claro! – sorrindo Dany levanta-se e vai andando, partindo daquele encontro maravilhoso.
Enquanto ela lhe dá as costas Samuel fica ali observando, deixando que ela lhe escape por entre seus dedos. Precisa fazer algo, tomar uma atitude, dizer alguma coisa.
- Dany! – ele a chama com uma voz de desespero e insegurança – Ainda vou te ver? Quero dizer...
- Espero de coração que sim! – sorri e volta a caminhar
O coração de Samuel dispara, bate forte. Seu desejo é pular gritar, sorrir e quem sabe até chorar. É um misto de alegria e euforia que ele não consegue controlar. Nunca havia se sentido assim, nunca esteve tão feliz.

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- Eu tenho de vê-lo. Me encontrar com ele, você entende? – as lágrimas rolam pelo rosto de Clara. – Todo esse tempo eu o odiei, sem saber porque ele sumiu por tantos anos. Abandonou a mim. Abandonou a Samuel. Eu preciso
- Clara! Pare, você sabe que ele nunca se importou de verdade com Samuel. Ele nunca fez questão de estar presente na vida do filho. Você já pensou em seu filho? Você já imaginou qual seria a reação dele quando souber que o pai está de volta na cidade?
- Eu ainda não disse nada a ele. E você também não vai dizer – demonstrando grande nervosismo Clara segura a mão da amiga Júlia e implora – Me prometa que você não vai falar nada.
- Tudo bem Clara, mas a cidade é pequena e você sabe o povo vê e não se cala. Você não poderá esconder por muito tempo essa situação.
- Eu só preciso falar com Samuel e tudo vai voltar a ser como antes – fitando e fixando o olhar no além Clara sonha.
Sonha com o dia em que conheceu seu grande amor: Samuel. Volta ao tempo em que ele chegava em sua casa segurando um ramalhete de margaridas, suas flores preferidas, dizendo que a amava, beijando-a e fazendo promessas de amor eterno.
- Ele ainda me ama Júlia. Eu sei. Tenho certeza disso. Nós ainda seremos uma verdadeira família. Felizes e cheios de amor.
- Clara, por favor, não se agarre a esperanças ainda, você melhor do que ninguém o conhece e...
- Sim, Júlia eu o conheço. E é por isso que sei que ele voltou para mim. Voltou para sua família. Vou falar com ele e tudo será felicidade.
- Minha amiga, ele sumiu por 3 anos. E por todo esse tempo não deu notícias, nem pra saber se o filho estava bem ou se você precisava de alguma coisa. Só te peço tenha cuidado para não se machucar mais ainda.
O que é o amor? As vezes nos cega e as vezes nos permite viver momentos indescritíveis de felicidade e prazer. Clara ansiava pelo momento em que pudesse abraçar seu verdadeiro e único amor.

Mas que segredos Samuel escondeu durante esses anos de sua ausência. O que lhe fez sumir, desaparecer sem deixar vestígios. Será que ele voltou para a família, para reviver o seu grande amor?

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